Diabetes na gestação

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Questão 34
UFCSPA · 2026

Gestante de 37 anos é atendida no pré-natal em consulta de rotina, apresentando-se com 26 semanas de gestação. Nega queixas obstétricas além de cansaço eventual. Está em uso de suplementação de ferro e traz exames laboratoriais conforme quadro abaixo, solicitados na consulta anterior.

Figura da questão 34 da UFCSPA 2026
Figura da questão

Em relação às condutas recomendadas para o caso descrito, analise as afirmativas e assinale a alternativa correta.


I. Aumentar a dose da suplementação de ferro.

II. Realizar ou atualizar vacina contra hepatite B.

III. Manter dieta, exercícios físicos e controle de hemoglicoteste (HGT).

IV. Realizar tratamento de infecção urinária baixa.


Explicação oficial do MedBoard

Contexto

A imagem mostra hemoglobina de 11,2 g/dL, HBsAg não reagente, anti-HBs não reagente, glicemia de jejum de 91 mg/dL e TOTG de 75 g com 168 mg/dL em 1 hora e 153 mg/dL em 2 horas. Também há toxoplasmose IgG reagente com IgM não reagente, leucocitúria importante no EAS e urocultura sem crescimento bacteriano.

Pela Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes 2026, entre 24 e 28 semanas o diabetes mellitus gestacional é diagnosticado se qualquer um dos seguintes valores no TOTG de 75 g estiver presente: jejum ≥ 92 mg/dL, 1 hora ≥ 180 mg/dL ou 2 horas ≥ 153 mg/dL. A paciente tem exatamente 153 mg/dL em 2 horas, portanto preenche critério de DMG. O tratamento inicial inclui orientação alimentar, atividade física quando não houver contraindicação obstétrica e automonitorização glicêmica.

A hemoglobina de 11,2 g/dL não caracteriza anemia que exija aumento terapêutico de ferro. Quanto à hepatite B, HBsAg negativo afasta infecção detectável e anti-HBs negativo indica ausência de anticorpo protetor mensurável; o Calendário Nacional de Vacinação da Gestante 2026 orienta iniciar ou completar o esquema contra hepatite B conforme a situação vacinal. Já leucócitos no EAS, isoladamente, não diagnosticam infecção urinária. Em gestante assintomática, urocultura sem crescimento não sustenta tratamento de bacteriúria ou cistite.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. A atualização vacinal contra hepatite B é apropriada conforme o histórico, mas não há indicação de aumentar a dose de ferro apenas com hemoglobina de 11,2 g/dL e sem evidência de anemia.

B) Incorreta. A afirmativa III está correta pelo diagnóstico de DMG, porém a afirmativa I está errada. Assim, a combinação não corresponde às condutas necessárias.

C) Correta (gabarito). A paciente deve ter a situação vacinal para hepatite B atualizada e apresenta DMG pelo valor de 2 horas igual a 153 mg/dL, justificando dieta, exercícios apropriados e controle glicêmico domiciliar.

D) Incorreta. A leucocitúria pode decorrer de contaminação ou inflamação não bacteriana. Como a paciente não tem sintomas urinários e a urocultura não mostrou crescimento, não há base para tratar infecção urinária baixa.

Bizu MedBoard
  • A pegadinha central: no TOTG da gestante, 2 horas = 153 mg/dL já fecha DMG; não precisa ultrapassar esse valor.

  • DMG no TOTG 75 g: jejum ≥ 92, 1 h ≥ 180 ou 2 h ≥ 153 mg/dL; um único valor alterado basta.

  • Leucocitúria não é sinônimo de ITU: em gestante assintomática, a urocultura é decisiva para bacteriúria significativa.

  • Vacina contra hepatite B pode ser administrada na gestação e deve ser iniciada ou completada conforme histórico vacinal.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Diabetes na gestação” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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