Criança de 2 anos, sexo feminino, sofreu uma queimadura de segundo grau na face e no pescoço após um acidente com água fervente. A área queimada é de aproximadamente 15%. Durante o atendimento inicial no pronto-socorro, a equipe médica realiza a reposição volêmica e estabiliza a paciente. Ao iniciar os cuidados locais, a equipe avalia as melhores estratégias de tratamento da ferida, considerando as particularidades da área afetada e a faixa etária da paciente.
A pegadinha central: face queimada costuma ser manejada aberta, não coberta por curativo oclusivo volumoso.
Exposição não significa deixar sem cuidado: higiene e tratamento tópico podem ser necessários.
Antibiótico sistêmico profilático não é rotina em queimadura sem infecção.
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Contexto
Queimaduras de face e pescoço são consideradas queimaduras em áreas especiais porque exigem vigilância cuidadosa da via aérea, dos olhos, da função e do resultado estético. Após resfriamento adequado quando ainda indicado, analgesia, limpeza e avaliação da profundidade, a face é frequentemente manejada com método aberto ou por exposição, sem curativo volumoso oclusivo, permitindo inspeção frequente e higiene.
Tratamento por exposição não significa abandonar cuidado local. A superfície deve ser limpa regularmente e podem ser utilizados agentes tópicos apropriados à profundidade e à localização, como pomadas à base de petrolato ou bacitracina em situações selecionadas. A escolha não é universal, e produtos com maior potencial de irritação ou sensibilização, como neomicina, não devem ser aplicados indiscriminadamente.
Antibiótico sistêmico profilático de rotina não é recomendado em queimaduras sem infecção estabelecida. Ele não previne de forma confiável a colonização da escara e aumenta pressão seletiva para microrganismos resistentes. Antibióticos sistêmicos são reservados para infecção clínica, sepse ou indicações perioperatórias específicas.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Curativos oclusivos podem ser úteis em várias queimaduras de tronco e extremidades, mas não são a estratégia preferencial para a face, onde o método aberto facilita inspeção, higiene e avaliação de edema e infecção.
B) Incorreta. Antibiótico sistêmico não deve ser usado apenas para prevenir colonização ou sepse. Profilaxia sistêmica rotineira não mostrou benefício suficiente e favorece resistência bacteriana.
C) Correta (gabarito). Tratamento por exposição da face e do pescoço é apropriado, associado a limpeza frequente e cuidados tópicos individualizados, porque permite vigilância contínua de uma área anatômica especial.
D) Incorreta. Não existe recomendação de aplicar neomicina e bacitracina em todas as queimaduras independentemente da profundidade e área. Neomicina pode provocar dermatite de contato, e o agente tópico deve ser escolhido segundo características da ferida.