Um homem de 60 anos apresenta dor epigástrica, perda de peso e anemia. Durante a endoscopia digestiva alta, observa-se uma úlcera no antro gástrico, sem evidência de sangramento.
Pegadinha central: úlcera gástrica pode ser câncer ulcerado; não aceite aparência “benigna” como substituto de histologia quando há indicação de biópsia.
H. pylori é etiologia tratável, mas pesquisa de H. pylori e biópsia para excluir malignidade têm objetivos diferentes.
Idade mais avançada, anemia e perda ponderal são sinais de alarme e reforçam investigação endoscópica completa.
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Contexto
Úlcera gástrica e úlcera duodenal não são manejadas de forma idêntica quando o problema é excluir malignidade. Uma lesão ulcerada no estômago pode corresponder a adenocarcinoma gástrico ulcerado, e a aparência endoscópica isolada não exclui câncer. Neste caso, idade de 60 anos, perda ponderal e anemia são sinais de alarme que aumentam ainda mais a necessidade de confirmação histológica.
A recomendação endoscópica é obter biópsias da úlcera gástrica quando houver suspeita de malignidade, com amostras representativas das bordas e, conforme o aspecto, da base. A pesquisa de Helicobacter pylori também é relevante em doença ulcerosa péptica, mas responde a uma pergunta diferente: identifica um fator etiológico tratável e não substitui anatomopatológico para excluir neoplasia.
O manejo costuma ainda incluir supressão ácida e erradicação de H. pylori se presente. Em úlceras gástricas, a necessidade de endoscopia de controle é individualizada conforme aspecto inicial, resultado histológico, persistência de sintomas e documentação de cicatrização.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Testar H. pylori é importante e frequentemente faz parte do manejo, mas não é a providência indispensável que resolve o principal risco deste caso: uma neoplasia gástrica ulcerada pode coexistir com infecção ou ocorrer sem ela.
B) Incorreta. Inibidor de bomba de prótons favorece cicatrização da úlcera e integra o tratamento, mas iniciar terapia empírica sem colher biópsia pode atrasar o diagnóstico de câncer em uma paciente com sinais de alarme.
C) Correta (gabarito). A úlcera gástrica deve ser biopsiada para exame anatomopatológico, especialmente diante de perda de peso e anemia, porque é indispensável excluir malignidade.
D) Incorreta. Antibióticos de amplo espectro não tratam rotineiramente úlcera péptica. Se houver H. pylori, utiliza-se esquema específico de erradicação, não antibioticoterapia inespecífica.