Menina de 9 anos com epilepsia de difícil controle chega na emergência pediátrica em crise tônico-clônica generalizada iniciada há 15 minutos, sem resposta ao diazepam retal administrado pela mãe em casa. Na unidade, está em crise contínua, com necessidade de oxigênio suplementar. Mesmo após 3 tentativas em 2 minutos pela equipe de enfermagem, não há acesso venoso. A equipe prepara material para acesso intraósseo e medicação.
A pegadinha central: estado epiléptico sem acesso venoso = não espere o acesso para dar benzodiazepínico.
Crise ≥ 5 minutos já deve ser tratada como estado epiléptico convulsivo.
Midazolam IM é primeira linha sem acesso IV; segunda linha vem se a crise persistir.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
Criar conta grátis
Contexto
Estado de mal epiléptico convulsivo deve ser tratado quando a crise dura 5 minutos ou mais, porque a probabilidade de cessação espontânea diminui e o risco de lesão sistêmica e neurológica aumenta. O algoritmo da American Epilepsy Society recomenda benzodiazepínico como terapia inicial entre 5 e 20 minutos de crise.
Quando não existe acesso venoso, midazolam intramuscular é uma opção de primeira linha eficaz, segura e rapidamente disponível. A medicação não deve ser atrasada enquanto múltiplas tentativas de acesso venoso são realizadas. Em ambiente apropriado, vias intranasal ou bucal também podem ser consideradas conforme protocolo e formulação disponível.
Se a crise persistir após benzodiazepínico em dose adequada, passa-se à terapia de segunda linha, com opções como levetiracetam, fosfenitoína ou valproato, além de fenobarbital em contextos específicos. A escolha deve considerar idade, comorbidades e perfil de eventos adversos. Infusão excessivamente rápida de fenitoína pode precipitar hipotensão e arritmias.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Fenobarbital pode ser usado em etapas posteriores, mas não é mais seguro simplesmente porque a criança já tem epilepsia. Antes dele, deve-se garantir benzodiazepínico de primeira linha por uma via disponível.
B) Incorreta. Fenitoína é terapia de segunda linha e não deve ser feita em infusão rápida indiscriminada, pois há risco cardiovascular. O caso ainda exige tratamento benzodiazepínico imediato por via não venosa.
C) Incorreta. Repetir diazepam retal em dose maior não é a melhor opção quando a criança já falhou a essa via e existe midazolam intramuscular, que oferece administração rápida e previsível sem acesso venoso.
D) Correta (gabarito). Com crise há 15 minutos e sem acesso venoso, midazolam intramuscular deve ser administrado imediatamente. A obtenção de acesso intraósseo pode prosseguir em paralelo para medicações subsequentes caso a crise não cesse.