Adolescente de 14 anos, sexo masculino, é levado ao pronto-socorro após um episódio de síncope. O paciente estava assistindo a um jogo de futebol quando de repente sentiu náuseas, tontura e sudorese intensa, seguidos de perda transitória da consciência. O episódio durou menos de um minuto e houve recuperação espontânea e completa. A mãe relata que o filho tem histórico de episódios semelhantes em ambientes quentes ou ao ficar muito tempo em pé e, pela recorrência, entende ser algo corriqueiro do filho e que não a preocupa. Não há relatos de convulsões ou traumas associados. O jovem também relata que um primo de segundo grau faleceu subitamente durante a adolescência.
A pegadinha central: pródromo vasovagal não anula red flags cardíacos.
Síncope pediátrica: história + exame + história familiar + ECG de 12 derivações fazem parte da avaliação inicial.
Morte súbita familiar jovem, síncope no exercício, palpitações imediatamente antes do evento e ECG anormal aumentam a suspeita cardíaca.
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Contexto
Os pródromos de náusea, tontura e sudorese, associados a calor e ortostatismo prolongado, são bastante compatíveis com síncope vasovagal. Entretanto, a avaliação de síncope em adolescentes não termina ao reconhecer um fenótipo neurocardiogênico. A diretriz ACC/AHA/HRS recomenda que a avaliação inicial pediátrica inclua história detalhada, exame físico, história familiar e ECG de 12 derivações.
História familiar de morte súbita em pessoa jovem é um sinal de alarme para etiologia cardíaca, incluindo canalopatias hereditárias como síndrome do QT longo e taquicardia ventricular polimórfica catecolaminérgica, além de cardiomiopatias. O grau de parentesco e as circunstâncias da morte modulam a probabilidade, mas o achado não deve ser ignorado.
O ECG é o exame inicial de maior rendimento porque pode revelar QT prolongado, padrão de Brugada, pré-excitação, distúrbios de condução ou outras pistas arrítmicas. Ecocardiograma é indicado quando história, exame ou ECG levantam suspeita de cardiopatia estrutural, mas não substitui o ECG como avaliação inicial.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Betabloqueador não deve ser iniciado empiricamente antes de definir a causa. Ele pode ser indicado em algumas canalopatias, mas o diagnóstico precisa vir primeiro.
B) Incorreta. O padrão é sugestivo de vasovagal, mas a história familiar de morte súbita na adolescência é um red flag. Não é adequado encerrar a avaliação apenas com orientações comportamentais.
C) Incorreta. Ecocardiograma pode ser necessário se houver suspeita de cardiomiopatia ou alteração estrutural, mas o primeiro exame complementar obrigatório na avaliação inicial da síncope pediátrica é o ECG.
D) Correta (gabarito). ECG de 12 derivações deve ser realizado para procurar alterações potencialmente arrítmicas, incluindo prolongamento do QT. A história familiar reforça ainda mais essa necessidade.