Um paciente de 60 anos permanece internado na UTI há 9 dias, sedado e com ventilação mecânica via tubo endotraqueal. Ele apresenta melhora gradual do quadro neurológico, porém continua dependente de ventilação invasiva, com tentativas de desmame fracassadas. Além disso, o exame físico revela aumento de secreções traqueais e sinais de lesão por pressão na via aérea superior. A equipe debate a realização de traqueostomia.
A pegadinha central: não existe dia mágico para traqueostomia; avalie previsão de ventilação prolongada e complicações do tubo.
No caso da prova, 9 dias + falha de desmame + secreções + lesão de pressão favorecem traqueostomia.
Evidência atual não mostra benefício consistente de mortalidade para traqueostomia precoce.
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Contexto
A traqueostomia é considerada quando se prevê necessidade de ventilação mecânica prolongada, dificuldade de desmame, necessidade persistente de higiene brônquica ou risco crescente de complicações da intubação transl laríngea. Entre as vantagens potenciais estão redução de sedação, menor resistência da via aérea, facilitação da higiene de secreções, conforto e possibilidade de progressão do desmame.
O paciente está no nono dia de ventilação, já falhou tentativas de desmame, mantém secreções aumentadas e apresenta sinais de lesão por pressão causada pelo tubo. Isso torna razoável discutir traqueostomia eletiva agora, desde que a equipe estime que a necessidade de ventilação invasiva continuará.
Existe, porém, uma atualização importante: não há um ponto de corte universal que torne 7 a 10 dias obrigatoriamente o melhor momento. Meta-análises recentes de ensaios randomizados mostram resultados heterogêneos. Traqueostomia mais precoce pode reduzir duração de ventilação ou permanência em UTI em alguns estudos, mas não demonstra benefício consistente de mortalidade. Uma revisão de 2025 concluiu que a evidência sobre vantagens do timing precoce permanece fraca. Assim, o momento deve ser individualizado conforme probabilidade de ventilação prolongada, trajetória neurológica, objetivos de cuidado e complicações da via aérea.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Não existe necessidade de aguardar obrigatoriamente o 14º dia. Diante de previsão de ventilação prolongada, falha de desmame e lesão relacionada ao tubo, antecipar a discussão da traqueostomia é razoável.
B) Correta (gabarito). Entre as opções fornecidas, esta melhor integra o cenário: no 9º dia, com falha de desmame, secreções e lesão por pressão, traqueostomia eletiva é uma conduta apropriada. Atualização: o intervalo 7 a 10 dias não deve ser entendido como regra universal, mas como janela possível em pacientes selecionados.
C) Incorreta. As indicações não se restringem a obstrução aguda, trauma ou ventilação por mais de duas semanas. Previsão de ventilação prolongada e dificuldade persistente de desmame são motivos frequentes para considerar o procedimento.
D) Incorreta. Intubação orotraqueal prolongada também traz complicações, como lesão de laringe e traqueia, maior necessidade de sedação e dificuldade de higiene de secreções. Traqueostomia pode trazer vantagens quando a necessidade de suporte prolongado é provável.