Paciente masculino, 17 anos, com diagnóstico de retocolite ulcerativa há 12 meses e em abandono de tratamento recente vem à emergência apresentando desidratação, piora do estado geral, episódios frequentes de diarreia sanguinolenta, dor abdominal, perda de peso e febre.
A pegadinha é tratar toda piora como simples atividade: surto grave de retocolite exige procurar infecção concomitante, especialmente C. difficile.
Seis ou mais evacuações sanguinolentas ao dia + toxicidade sistêmica = pensar em colite aguda grave.
Antidiarreicos devem ser evitados na colite grave pelo risco de megacólon tóxico.
Antibiótico não é rotina na atividade isolada; é usado quando houver indicação infecciosa ou complicação específica.
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Contexto
O adolescente com retocolite ulcerativa, abandono recente do tratamento, diarreia sanguinolenta frequente, febre, perda de peso, desidratação e piora do estado geral apresenta exacerbação importante da doença, com possibilidade de colite aguda grave. A prioridade não é ajustar dieta ambulatorialmente, mas hospitalizar, graduar a gravidade, corrigir distúrbios hidroeletrolíticos e excluir infecção e complicações.
Os critérios clássicos de Truelove e Witts definem colite ulcerativa aguda grave por seis ou mais evacuações sanguinolentas ao dia associadas a pelo menos um marcador de toxicidade sistêmica, como febre acima de 37,8 °C, frequência cardíaca acima de 90 bpm, anemia importante ou elevação de marcador inflamatório. O enunciado não fornece todos os parâmetros para fechar formalmente o escore, mas a repercussão sistêmica descrita exige avaliação hospitalar.
Todo surto grave ou refratário deve ser investigado para infecção entérica, especialmente Clostridioides difficile, além de outros patógenos conforme epidemiologia e exposição. Se confirmada colite aguda grave sem infecção que explique o quadro, corticosteroide intravenoso é terapia inicial clássica. Antibióticos não são rotina em toda exacerbação; são reservados para infecção documentada ou forte suspeita, sepse, perfuração, megacólon tóxico e outros cenários específicos.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). O quadro indica atividade importante da retocolite e exige internação para avaliar gravidade, desidratação e complicações, além de pesquisar infecção bacteriana associada. A expressão correta é avaliar necessidade de antibióticos, não prescrevê-los automaticamente.
B) Incorreta. Dieta sem glúten não é tratamento da atividade inflamatória da retocolite ulcerativa, salvo coexistência independente de doença celíaca. Suporte nutricional pode ser necessário, mas não substitui o manejo hospitalar de uma exacerbação com sinais sistêmicos.
C) Incorreta. C. difficile deve ser pesquisado, mas não pode ser presumido sem teste. Além disso, alta com antidiarreicos é perigosa em colite grave porque drogas que reduzem motilidade podem favorecer retenção de conteúdo, dilatação colônica e megacólon tóxico.
D) Incorreta. Tuberculose intestinal entra no diferencial de doença inflamatória intestinal em contextos específicos, mas não é a hipótese mais provável em paciente com retocolite conhecida e abandono terapêutico. Cirurgia urgente depende de complicações como perfuração, hemorragia incontrolável, megacólon tóxico ou falha de terapia de resgate, não do quadro descrito isoladamente.