Abdome agudo: abordagem diagnóstica

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Questão 98
UFCSPA · 2026

Paciente de 51 anos, tabagista, refere epigastralgia de moderada intensidade há 3 dias e com início súbito, associada a vômitos e a uma piora do estado geral. Apresenta-se com frequência cardíaca de 106bpm, PA 130/80mmHg, desidratação, leve distensão abdominal e presença de ruídos hidroaéreos aumentados. Exames laboratoriais com 19500 leucócitos e sem desvio à esquerda, lipase 750 e amilase 1150, TGO 290 e TGP 130, bilirrubinas sem alterações. Glicemia de 195 e DHL 225.

Considerando o caso clínico descrito, qual é a hipótese diagnóstica mais provável?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

O diagnóstico de pancreatite aguda exige pelo menos 2 de 3 critérios: dor abdominal típica, amilase ou lipase acima de 3 vezes o limite superior da normalidade e imagem compatível. O caso apresenta dor epigástrica de início agudo e elevação importante de amilase e lipase, portanto o diagnóstico é estabelecido mesmo sem tomografia.

A Classificação Revisada de Atlanta divide pancreatite aguda em leve, moderadamente grave e grave. Leve significa ausência de falência orgânica e ausência de complicações locais ou sistêmicas. Moderadamente grave envolve falência orgânica transitória por menos de 48 horas e/ou complicações locais ou sistêmicas. Grave exige falência orgânica persistente por mais de 48 horas.

Taquicardia, leucocitose, hiperglicemia e elevação de transaminases podem indicar resposta inflamatória ou ajudar na investigação etiológica, mas não definem sozinhas pancreatite grave. O valor absoluto de amilase e lipase tampouco se correlaciona de forma confiável com gravidade.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Gastroenterite não explica adequadamente a combinação de dor epigástrica típica e enzimas pancreáticas marcadamente elevadas.

B) Correta (gabarito). O paciente preenche critérios diagnósticos de pancreatite aguda e o enunciado não apresenta falência orgânica persistente nem complicações locais ou sistêmicas. Portanto, dentro dos dados fornecidos, a melhor classificação é pancreatite aguda leve.

C) Incorreta. Diverticulite costuma causar dor localizada, frequentemente em quadrante inferior esquerdo, e não justifica esse padrão de hiperamilasemia e hiperlipasemia.

D) Incorreta. Leucocitose e taquicardia podem ocorrer em pancreatite não grave. Pela Atlanta revisada, doença grave exige falência orgânica persistente por mais de 48 horas, informação ausente no caso.

Bizu MedBoard
  • A pegadinha central: enzima alta não mede gravidade.

  • Diagnóstico de pancreatite = 2 de 3 critérios.

  • Grave = falência orgânica persistente por mais de 48 horas.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Abdome agudo: abordagem diagnóstica” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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