Neonato do sexo masculino com quatro dias de vida nasceu com baixo peso e apresentou taquipneia transitória ao nascimento. Durante a gestação, foi identificado polidrâmnio e, após receber leite materno, apresentou tosse, dispneia, cianose e episódios de apneia. Ao exame físico, paciente em regular estado geral, taquipneico, com salivação excessiva e distensão abdominal. Apresenta ânus imperfurado com fístula perineal e anomalia radial do membro superior direito.
A pegadinha central: sialorreia + cianose às mamadas + polidrâmnio = atresia de esôfago; abdome distendido = fístula distal.
Atresia sem fístula distal tende a deixar o abdome pouco aerado.
Atresia esofágica + defeito anal + anomalia de membro deve disparar investigação de VACTERL.
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Contexto
O quadro é clássico de atresia de esôfago associada a fístula traqueoesofágica distal, a variante anatômica mais frequente. Durante a gestação, a incapacidade fetal de deglutir adequadamente o líquido amniótico pode produzir polidrâmnio. Após o nascimento, saliva e leite acumulam-se no coto esofágico proximal e provocam sialorreia, tosse, engasgo, cianose e episódios de apneia durante a alimentação.
A presença de distensão abdominal é a pista para a fístula distal: o ar da traqueia atravessa a comunicação com o esôfago distal e alcança estômago e alças intestinais. Na atresia esofágica sem fístula distal, o abdome tende a ser pouco distendido ou escavado porque não há passagem de ar para o trato gastrointestinal.
Ânus imperfurado e anomalia radial reforçam a necessidade de investigar a associação VACTERL, que reúne defeitos vertebrais, anorretais, cardíacos, traqueoesofágicos, renais e de membros. Na suspeita de atresia, deve-se suspender alimentação oral, manter aspiração contínua ou frequente do coto proximal, elevar a cabeceira, oferecer suporte respiratório e encaminhar para correção cirúrgica após estabilização e investigação das malformações associadas.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Polidrâmnio, salivação excessiva, tosse e cianose às mamadas apontam para atresia esofágica, enquanto distensão abdominal indica passagem de ar pela fístula traqueoesofágica distal. As malformações anorretal e radial ainda reforçam associação congênita multissistêmica.
B) Incorreta. Hérnia diafragmática congênita costuma manifestar-se com insuficiência respiratória, redução do murmúrio em um hemitórax, deslocamento mediastinal e abdome escavado. Não explica sialorreia intensa e engasgos imediatos após tentativa de alimentação.
C) Incorreta. Membrana ou atresia duodenal causa obstrução intestinal alta, tipicamente com vômitos, frequentemente biliosos quando a obstrução é distal à papila. Não produz salivação excessiva nem episódios respiratórios desencadeados pela deglutição.
D) Incorreta. Refluxo gastroesofágico pode provocar regurgitação e engasgos, mas não explica polidrâmnio antenatal, sialorreia persistente desde o nascimento nem a associação com malformação anorretal e radial.