Pegadinha central: não confunda força para provocar o primeiro evento com risco de recorrência; o que persiste tende a manter o risco.
Cirurgia e trauma: fatores maiores, porém transitórios. Câncer ativo: fator persistente.
Em neoplasia ativa, a necessidade de anticoagulação costuma ser reavaliada periodicamente e pode se estender enquanto o câncer ou seu tratamento permanecerem ativos, se o risco de sangramento permitir.
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Contexto
Depois de um episódio de tromboembolismo venoso, o risco de recorrência depende principalmente de o fator desencadeante ter sido transitório ou persistente. Cirurgia de grande porte e trauma são fatores fortes para provocar o primeiro evento, mas costumam desaparecer após recuperação. Já a neoplasia ativa mantém um estado pró-trombótico por ativação da coagulação, inflamação, expressão de fator tecidual, imobilidade, procedimentos, cateteres e tratamentos antineoplásicos.
As diretrizes da American Society of Hematology para tromboembolismo associado ao câncer recomendam anticoagulação prolongada em pacientes com câncer ativo e evento tromboembólico, justamente porque o risco de recorrência permanece elevado enquanto a neoplasia ou seu tratamento estiverem ativos. Isso diferencia o câncer de fatores maiores porém temporários, como cirurgia e trauma.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Grandes cirurgias e trauma são importantes fatores provocadores, mas são tipicamente transitórios. Depois que o fator desaparece, a recorrência costuma ser menor do que quando persiste um estímulo trombogênico contínuo.
B) Incorreta. Doença inflamatória intestinal aumenta o risco de tromboembolismo, principalmente durante atividade inflamatória, internação ou cirurgia, mas não é a alternativa de maior risco global entre as apresentadas.
C) Incorreta. “Doenças autoimunes” é uma categoria muito ampla. Algumas condições, especialmente síndrome antifosfolípide, podem conferir risco elevado, mas a alternativa genérica não supera a associação clássica com neoplasia ativa.
D) Correta (gabarito). A neoplasia ativa é um fator trombogênico persistente e está associada a risco elevado de novo episódio de tromboembolismo venoso, inclusive durante anticoagulação em alguns pacientes.