R., 25 anos, é portador de asma e vem para uma consulta ambulatorial. Durante a consulta, seu médico diagnostica um transtorno psiquiátrico comum e lhe receita um psicofármaco.
A pegadinha é direta: diazepam não é de curta duração; possui longa meia-vida e metabólitos ativos.
Em doença respiratória, benzodiazepínico pede cautela principalmente pelo risco de sedação e depressão ventilatória.
Antipsicóticos típicos têm associação descrita com exacerbação grave de asma; isso é risco clínico, não contraindicação absoluta.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
Criar conta grátis
Contexto
Em pacientes com asma, a escolha de psicofármacos deve considerar tanto a eficácia psiquiátrica quanto efeitos respiratórios, sedativos e autonômicos. Para depressão maior e muitos transtornos de ansiedade, os inibidores seletivos da recaptação de serotonina costumam ser opções de primeira linha e não apresentam o mesmo potencial de depressão respiratória observado com sedativos.
Os benzodiazepínicos merecem cautela porque sedação intensa, redução do nível de consciência e depressão ventilatória podem ser particularmente problemáticas em pacientes com doença respiratória, sobretudo em exacerbações ou quando há associação com álcool, opioides ou outros depressores do sistema nervoso central. Quando seu uso é realmente necessário, prefere-se limitar dose e duração e, conforme o contexto clínico, optar por fármacos de menor duração de ação. Diazepam não é exemplo de benzodiazepínico de meia-vida curta: é um fármaco de longa duração, com metabólitos ativos.
Há ainda dados farmacológicos e clínicos associando antipsicóticos, especialmente os típicos, a maior risco de exacerbação respiratória grave em pessoas com asma. O lítio, embora não seja tratamento da asma, já demonstrou em estudos farmacológicos redução da responsividade brônquica à histamina. Esse achado não transforma o lítio em broncodilatador de rotina, mas explica a construção da alternativa C.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Esta alternativa não é a incorreta solicitada pela questão. ISRS são escolhas usuais de primeira linha para depressão e diversos transtornos de ansiedade e, de modo geral, têm perfil respiratório mais favorável do que fármacos fortemente sedativos.
B) Incorreta. Esta alternativa não é a incorreta solicitada pela questão. Estudos observacionais encontraram associação entre antipsicóticos típicos e maior risco de exacerbação grave da asma, com sinal de relação dose-resposta. Isso exige avaliação clínica, não proibição automática.
C) Incorreta. Esta alternativa não é a incorreta solicitada pela questão. Existe evidência farmacológica de que o lítio pode reduzir a reatividade brônquica induzida por histamina. O ponto importante é que esse efeito não representa indicação do lítio como tratamento antiasmático.
D) Correta (gabarito). A recomendação de cautela com benzodiazepínicos é plausível, mas o exemplo fornecido invalida a frase: diazepam é benzodiazepínico de ação prolongada, não de meia-vida curta. Lorazepam e oxazepam, por exemplo, têm perfis farmacocinéticos diferentes e podem ser preferidos em determinados cenários, sempre conforme a indicação psiquiátrica e o risco respiratório.