Um homem de 42 anos procura o pronto-socorro relatando aumento de volume na região umbilical há 2 anos, que se exterioriza mais ao tossir e desaparece ao repouso. Nos últimos dois dias, refere dor progressiva e náuseas, com o abaulamento endurecido, doloroso, irredutível e hiperemiado. Não há eliminação de gases ou fezes nas últimas 24 horas. Exames laboratoriais mostram leucocitose, e o exame físico confirma hérnia umbilical encarcerada.
A pegadinha central: encarcerada + dor intensa ou progressiva + obstrução + sinais inflamatórios = pense em estrangulamento e opere.
Não force redução manual quando houver suspeita de isquemia.
Na cirurgia, a decisão crucial é a viabilidade da alça e necessidade de ressecção.
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Contexto
Hérnia encarcerada é aquela cujo conteúdo não pode ser reduzido para a cavidade abdominal. Quando há comprometimento vascular do conteúdo herniário, ocorre estrangulamento, com risco de isquemia, necrose e perfuração intestinal. Dor progressiva, hiperemia local, endurecimento, sinais de obstrução, leucocitose e toxicidade sistêmica aumentam muito a suspeita de sofrimento da alça.
O paciente apresenta hérnia umbilical irredutível associada a náuseas, ausência de eliminação de gases e fezes, inflamação local e leucocitose. Essa combinação não é compatível com observação ou tentativa indiscriminada de redução manual. A conduta é exploração cirúrgica urgente, redução do conteúdo, abertura do saco conforme necessário e avaliação direta da viabilidade intestinal.
Alça viável pode ser preservada. Se houver necrose irreversível, realiza-se ressecção com reconstrução intestinal conforme condições locais. A estratégia de fechamento do defeito herniário e eventual uso de tela dependem do grau de contaminação, tamanho do defeito e técnica adotada; a prioridade da emergência é resolver estrangulamento e obstrução sem atrasos.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Hérnia umbilical sintomática e irredutível em adulto não deve ser observada na expectativa de redução espontânea quando existem sinais de obstrução e possível estrangulamento.
B) Correta (gabarito). O quadro exige cirurgia de urgência para reduzir o conteúdo, avaliar perfusão intestinal e ressecar alça se houver isquemia ou necrose.
C) Incorreta. Tentar redução manual e dar alta é perigoso diante de hiperemia, dor progressiva, obstrução e leucocitose. Além de atrasar o tratamento da isquemia, pode ocorrer redução de uma alça já necrosada para dentro do abdome.
D) Incorreta. Redução manual não deve preceder cirurgia quando há suspeita de estrangulamento. Adiar correção expõe o paciente a necrose, perfuração, peritonite e sepse.