Um pesquisador tem como objetivo identificar a ocorrência de neoplasia maligna em pacientes diretamente expostos e contaminados no acidente com Césio-137, ocorrido em Goiânia em 1987, e compará-la com a ocorrência na população não exposta. Para isso, o estudo analisa os casos de neoplasia maligna diagnosticados no período entre 1988 e 2017.
A pegadinha central: retrospectivo não significa caso-controle.
Grupo definido pela exposição + ocorrência posterior do desfecho = coorte.
Coorte mede incidência e permite calcular medidas como risco relativo.
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Contexto
O estudo começa com uma exposição definida, o contato e contaminação pelo Césio-137 em 1987, e compara a ocorrência posterior de neoplasias malignas entre indivíduos expostos e uma população não exposta. Os pesquisadores utilizam registros de 1988 a 2017 para reconstruir o seguimento. Essa estrutura caracteriza uma coorte retrospectiva ou histórica.
Em uma coorte, os participantes são classificados de acordo com a exposição e observa-se a ocorrência de novos casos do desfecho. Por isso, a medida de frequência correspondente é a incidência. Dependendo dos dados disponíveis, ela pode ser expressa como incidência cumulativa, que é o risco de desenvolver a doença em determinado período, ou como densidade de incidência, quando o denominador incorpora pessoa-tempo.
A presença de dados históricos não transforma o estudo em caso-controle. A pergunta decisiva é como os grupos foram constituídos: aqui, eles são definidos pela exposição, e não pelo fato de já terem ou não câncer.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). A exposição ao Césio-137 define os grupos e a ocorrência de novos cânceres é avaliada posteriormente. Trata-se de coorte histórica, capaz de estimar incidência.
B) Incorreta. Estudo ecológico trabalha com unidades agregadas, como cidades ou populações, e não com indivíduos classificados segundo exposição e acompanhados quanto ao desfecho.
C) Incorreta. O desenho não é uma fotografia em um único ponto temporal. Há relação temporal clara entre exposição em 1987 e ocorrência de neoplasias ao longo de quase três décadas.
D) Incorreta. Não se trata de mera descrição de casos. Existe comparação segundo exposição e avaliação longitudinal de novos eventos, portanto a frequência apropriada é incidência, não prevalência.