Quartigesta, nulípara, 35 anos de idade, 12 semanas de gestação, refere antecedente de perdas gestacionais com 20, 18 e 16 semanas, que foram rápidas, indolores e sem sangramento importante. A ultrassonografia constatou feto único, vivo, sem anomalias e biometria compatível com a idade gestacional menstrual.
Pegadinha central: perda tardia, rápida e indolor sugere insuficiência cervical, não trabalho de parto prematuro típico.
História clássica recorrente permite cerclagem profilática sem esperar o colo encurtar.
Repouso, abstinência sexual e pessário não substituem uma cerclagem claramente indicada.
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Contexto
Três perdas consecutivas no segundo trimestre, com 20, 18 e 16 semanas, rápidas, indolores e sem sangramento importante, formam uma história clássica de insuficiência cervical. O mecanismo é incapacidade do colo de manter a gestação diante do aumento progressivo da pressão intrauterina, levando a dilatação cervical silenciosa, protrusão de membranas e perda fetal sem o padrão típico de trabalho de parto.
Quando a história é tão característica, a estratégia é cerclagem profilática indicada pela história, após confirmação de gestação viável. A cerclagem transvaginal costuma ser feita no fim do primeiro trimestre ou início do segundo, classicamente por volta de 12 a 14 semanas, e a faixa de 12 a 16 semanas apresentada na alternativa é compatível com a conduta cobrada.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). A paciente apresenta história obstétrica altamente típica de insuficiência cervical recorrente e está com 12 semanas e feto vivo. Esse é o cenário de cerclagem transvaginal profilática por história.
B) Incorreta. Progesterona vaginal e vigilância seriada do colo têm papel em outros perfis de risco, especialmente colo curto, mas não são a melhor substituição para cerclagem quando há repetidas perdas indolores de segundo trimestre tão características.
C) Incorreta. Pessário não é recomendado rotineiramente para prevenção de prematuridade e não há motivo para atrasar uma cerclagem profilática já indicada até 16 a 20 semanas.
D) Incorreta. Abstinência sexual não corrige a incompetência mecânica do colo e não substitui a cerclagem indicada pela história.
E) Incorreta. Repouso no leito não previne perda por insuficiência cervical e acrescenta riscos maternos. Progesterona isolada não é a melhor conduta neste padrão obstétrico.