Criança de três meses de idade é levada ao pronto atendimento com história de febre não medida há dois dias. Ao exame físico: FC = 160 bpm, FR = 45 irpm, temperatura de 39,8oC, em regular estado geral, palidez cutânea, restante do exame físico sem alterações.
Pegadinha central: em lactente jovem, “sem foco” não significa “baixo risco” quando o estado geral está alterado.
Urina é parte central da investigação porque infecção urinária é causa importante de febre sem foco nessa idade.
Antitérmico melhora sintoma; não serve como teste para distinguir infecção viral de bacteriana.
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Contexto
Febre de 39,8 °C em lactente de 3 meses, acompanhada de regular estado geral e palidez, deve ser tratada como situação de maior risco para infecção bacteriana invasiva até que a avaliação mostre o contrário. O dado discriminador não é apenas a temperatura, mas o fato de a criança não estar descrita como bem aparentada. Protocolos de manejo ambulatorial de febre sem foco são reservados a lactentes criteriosamente selecionados, com boa aparência e critérios de baixo risco.
A avaliação hospitalar deve procurar principalmente infecção urinária, bacteremia e, conforme idade exata, exame clínico e protocolo local, meningite. Hemograma e marcadores inflamatórios ajudam a estratificar risco; urina deve ser colhida de forma adequada para urinálise e urocultura; hemocultura é indicada quando há preocupação com infecção invasiva. Em lactente com aparência comprometida, punção lombar e antibiótico parenteral também podem ser necessários após coleta de culturas, conforme a avaliação clínica. Entre as alternativas oferecidas, a única que combina proteção hospitalar com investigação etiológica imediata é a D.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Sintomáticos e observação domiciliar são insuficientes para lactente jovem com febre alta e estado geral alterado, porque uma infecção invasiva pode inicialmente não ter foco ao exame.
B) Incorreta. Colher hemograma e culturas e liberar para reavaliação em 24 horas ainda deixa uma criança de maior risco fora de observação hospitalar. Além disso, a investigação deve incluir urina, uma das principais fontes bacterianas nessa faixa etária.
C) Incorreta. Iniciar antibiótico sem investigação apropriada e mandar para casa pode esterilizar culturas, mascarar a evolução e atrasar o reconhecimento de foco invasivo. Quando antibiótico é indicado nesse perfil, o tratamento costuma integrar uma estratégia hospitalar.
D) Correta (gabarito). Internação, hemograma, urinálise e culturas permitem investigação imediata e monitorização. Dependendo da idade em dias e da evolução clínica, a avaliação pode ser ampliada com marcadores inflamatórios, punção lombar e antibiótico parenteral.
E) Incorreta. Antitérmico pode melhorar conforto e reduzir temperatura, mas não muda o risco de infecção bacteriana invasiva nem substitui a investigação.