Cuidados paliativos e terminalidade

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Questão 21
UNIFESP · 2019

Mulher de 88 anos de idade apresenta hipertensão arterial, hipotireoidismo, osteoartrite de joelhos e neoplasia maligna de pâncreas com metástase. Faz uso domiciliar de codeína e dipirona e tem ficado mais acamada, necessitando de ajuda para transferência. Foi internada por piora da dor abdominal que melhorou com uso de morfina parenteral. Diagnosticada úlcera por pressão em região sacral (estágio 3).

Qual é o melhor preditor de prognóstico para a paciente?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Em câncer avançado, o estado funcional é um dos marcadores clínicos mais consistentes de prognóstico. Escalas como ECOG, Karnofsky e Palliative Performance Scale traduzem quanto o paciente consegue deambular, trabalhar, realizar autocuidado, alimentar-se e permanecer fora do leito. A perda progressiva dessas funções acompanha maior carga de doença e menor reserva fisiológica.

A paciente tem neoplasia pancreática metastática, tornou-se mais acamada e precisa de ajuda para transferências. Esses dados indicam queda importante de performance e têm maior valor prognóstico que idade isolada, número de comorbidades ou intensidade de um sintoma que pode ser controlado. A úlcera por pressão estágio 3 também é um marcador indireto de imobilidade e fragilidade, mas a variável que melhor sintetiza o prognóstico dentre as opções é a performance funcional.

Alternativa por alternativa

A) Correta (gabarito). A baixa performance funcional integra mobilidade, autocuidado e repercussão sistêmica da doença e é fortemente associada à sobrevida em câncer avançado. A necessidade de ajuda para transferência e maior tempo no leito são sinais concretos dessa deterioração.

B) Incorreta. Idade avançada influencia vulnerabilidade, mas idade cronológica isolada discrimina pior o prognóstico que a capacidade funcional real. Idosos com boa performance podem ter evolução distinta de idosos acamados.

C) Incorreta. Dor intensa exige tratamento, mas sua presença isolada não é o melhor preditor de sobrevida. No caso, a dor respondeu à morfina, reforçando que é um sintoma manejável e não o marcador prognóstico principal.

D) Incorreta. Comorbidades contribuem para carga clínica, porém hipertensão, hipotireoidismo e osteoartrite não resumem tão bem a reserva global quanto o estado funcional diante de câncer metastático.

E) Incorreta. Uso de opioide reflete necessidade de analgesia. Morfina ou codeína, quando corretamente indicadas e tituladas, não são marcadores independentes de pior prognóstico.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: em oncologia paliativa, “quanto o paciente ainda consegue fazer?” costuma prognosticar melhor que “quantos anos ele tem?”.

  • ECOG, Karnofsky e PPS são formas diferentes de quantificar o mesmo eixo de alto rendimento: performance funcional.

  • Necessidade crescente de ajuda, maior tempo no leito e perda de autocuidado apontam para pior prognóstico.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Cuidados paliativos e terminalidade” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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