Mulher, 73 anos de idade, tercigesta, secundípara, procura o posto de saúde preocupada com o resultado de ultrassonografia endovaginal solicitado pelo geriatra. Refere ser hígida, nega sangramento genital e queixas climatéricas. Não faz uso de medicação diária. Laudo da ultrassonografia = nódulo sólido uterino intramural com área calcificada medindo 15 x 13 mm, espessura do endométrio: 2 mm, ovários não observados.
Pegadinha central: calcificação em pequeno nódulo intramural pós-menopausa sugere involução de mioma, não sarcoma.
Mioma pequeno e assintomático não precisa ser operado apenas porque a paciente está na pós-menopausa.
Sangramento pós-menopausa, dor persistente ou crescimento de massa mudam o cenário e exigem nova investigação.
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Contexto
O achado é um nódulo intramural muito pequeno, de 15 por 13 mm, com área calcificada, em mulher de 73 anos sem sangramento, dor ou sintomas compressivos. Esse conjunto favorece fortemente leiomioma uterino em processo de degeneração e calcificação. Após a menopausa, a queda do estímulo hormonal costuma levar à estabilização ou redução dos miomas; alterações degenerativas, incluindo calcificação, podem permanecer como achado incidental em exames de imagem.
O endométrio mede 2 mm, portanto é fino, e a paciente nega sangramento pós-menopausa. A não visualização dos ovários em ultrassonografia de uma mulher idosa também é frequente, porque os ovários pós-menopáusicos tornam-se pequenos. Nenhum desses dados, no contexto descrito, exige intervenção.
A orientação da ACOG para leiomiomas é que miomas pequenos e assintomáticos em geral não necessitam tratamento. Em uma mulher pós-menopáusica, o seguimento muda se surgirem sangramento, dor persistente, aumento uterino ou crescimento relevante de uma massa previamente estável, situações que exigem reavaliação. Nesta questão, porém, não há sinal clínico ou ultrassonográfico que justifique cirurgia ou biópsia invasiva.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Leiomiossarcoma não é diagnosticado pela simples presença de calcificação em um nódulo de 1,5 cm. O enunciado não descreve massa volumosa, sintomas novos, invasão ou comportamento agressivo que justifique histerectomia por suspeita sarcomatosa.
B) Incorreta. Teratoma uterino é extremamente raro e não corresponde ao padrão de pequeno nódulo intramural calcificado típico de leiomioma degenerado.
C) Correta (gabarito). O achado é compatível com mioma uterino calcificado, assintomático e incidental. Sem sinais de alarme, a conduta é tranquilizar a paciente e manter acompanhamento clínico habitual.
D) Incorreta. Miomectomia é tratamento para situações selecionadas, como sintomas, distorção anatômica relevante ou desejo reprodutivo. Nada disso se aplica a uma paciente de 73 anos com nódulo de 15 mm assintomático.
E) Incorreta. Biópsia percutânea não é conduta de rotina para um pequeno leiomioma intramural incidental com aspecto degenerativo e sem sinais suspeitos.