Paciente sob anestesia para tratamento de abdome agudo vascular, apresenta elevação da variação da pressão de pulso (delta PP).
Pegadinha central: delta PP alto prediz resposta hemodinâmica a volume, não significa que todo paciente deva receber volume.
O método exige ventilação controlada e ritmo regular; esforço espontâneo e arritmia prejudicam a interpretação.
Guarde a ordem de grandeza: ponto de corte clássico em torno de 12%, com variação conforme técnica e contexto.
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Contexto
A variação da pressão de pulso, delta PP ou PPV, explora as mudanças cíclicas provocadas pela ventilação com pressão positiva sobre o retorno venoso e o volume sistólico. Pode ser calculada como (PPmáx - PPmín) / [(PPmáx + PPmín)/2] x 100. Quando elevada, sugere que o débito cardíaco está dependente de pré-carga e que existe maior probabilidade de aumento do volume sistólico após expansão volêmica.
Classicamente, valores em torno de 12% ou mais foram usados como ponto de corte para responsividade, mas o limiar não é universal. A acurácia depende de condições específicas: ventilação mecânica controlada, ausência de esforço respiratório espontâneo, ritmo cardíaco regular, volume corrente suficiente e ausência de situações que distorçam a interação coração-pulmão, como disfunção importante de ventrículo direito ou tórax aberto. Em ventilação protetora com baixo volume corrente, a performance do delta PP cai.
Outro ponto de prova é que responsividade a volume não significa obrigatoriamente necessidade de administrar volume. O índice prevê se o débito aumentará com fluido; a decisão terapêutica depende também da perfusão, do risco de congestão e do contexto clínico.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Choque cardiogênico com pressão venosa central elevada sugere congestão. Delta PP isolado não deve ser interpretado como indicação de volume nesse cenário, especialmente se houver disfunção ventricular importante.
B) Incorreta. Edema agudo de pulmão por estenose mitral grave é um estado de congestão pulmonar em que expansão volêmica tende a piorar pressões de enchimento.
C) Incorreta. Na fibrilação ventricular não há pulso arterial organizado nem ciclos regulares adequados para calcular e interpretar PPV. A prioridade é reanimação e desfibrilação conforme o ritmo.
D) Correta (gabarito). Em condições técnicas apropriadas, delta PP elevado é marcador de responsividade à reposição volêmica, isto é, maior chance de aumento do débito cardíaco após expansão.
E) Incorreta. Tamponamento é choque obstrutivo. A variação respiratória pode ser acentuada, mas o tratamento definitivo é aliviar a obstrução pericárdica, e o índice não deve ser interpretado de forma simplista como teste de responsividade a fluidos.