Indivíduos com obesidade grau 3 (N = 252) foram randomizados para dois tipos de dietas: restrição de carboidratos ou restrição de gorduras. A análise estatística mostrou que os indivíduos que seguiram a dieta com restrição de carboidratos apresentaram perda média de peso de 5,8 kg (desvio padrão = 3,0 kg) enquanto aqueles submetidos à dieta com restrição de gorduras apresentaram perda média de peso de 3,5 kg (desvio padrão = 5,0 kg). Comparando-se a perda média de peso entre esses dois grupos obteve-se um valor de p = 0,003.
Pegadinha central: p não é chance de H0 ser verdadeira, não é poder e não é porcentagem de pacientes que tiveram o efeito.
Regra operacional: p < α leva à rejeição de H0; aqui, 0,003 < 0,05.
Significância estatística não informa, sozinha, relevância clínica: o tamanho do efeito observado foi 2,3 kg.
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Contexto
O valor de p responde a uma pergunta específica: se a hipótese nula fosse verdadeira, qual seria a probabilidade de obter um resultado tão extremo quanto o observado ou mais extremo? Aqui, p = 0,003 significa 0,3% sob a hipótese nula. Como 0,003 é menor que α = 0,05, rejeita-se a hipótese nula de igualdade das médias e conclui-se que há diferença estatisticamente significativa entre os grupos.
É importante separar significância, efeito e poder. A diferença média observada foi 5,8 - 3,5 = 2,3 kg; o p não mede o tamanho desse efeito. O poder estatístico não é 1 - p. Também é tecnicamente impreciso interpretar p como probabilidade de a conclusão estar errada. A alternativa E é o gabarito porque é a única que reconhece corretamente a significância e traduz p como 0,3% na formulação didática da prova; a leitura rigorosa deve ser a definição condicional à hipótese nula.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. p = 0,003 não significa que 99,7% dos participantes do grupo com restrição de carboidratos perderam mais peso. O teste compara médias e o p não é uma proporção de indivíduos com determinado resultado.
B) Incorreta. Existe diferença estatisticamente significativa, mas 99,7% não é o poder do estudo. Poder é a probabilidade de detectar um efeito quando ele realmente existe e depende, entre outros fatores, do tamanho amostral, variabilidade, efeito verdadeiro e α.
C) Incorreta. Como p = 0,003 é menor que 0,05, a hipótese nula é rejeitada. Além disso, p não é o erro de se afirmar ausência de diferença.
D) Incorreta. Há significância estatística e a diferença entre as médias é 2,3 kg, não 0,3%. O número 0,3% é a expressão percentual do valor de p.
E) Correta (gabarito). É a alternativa que identifica a diferença estatisticamente significativa e associa p = 0,003 a 0,3%. A redação sobre risco de errar é uma simplificação comum em provas; tecnicamente, p é a probabilidade dos dados, ou de dados mais extremos, assumindo a hipótese nula, e não a probabilidade de a hipótese nula ser verdadeira.