Homem, 40 anos de idade, divorciado há cinco meses, morando sozinho, foi encaminhado pelo cardiologista com queixa de acordar várias vezes durante a noite, de forma súbita e inesperada, com medo intenso, dificuldade para respirar, palpitação, sudorese e náuseas. Nos últimos três meses, os sintomas ocorreram pelo menos duas vezes por semana, desenvolvendo ansiedade antecipatória para iniciar o sono.
Pegadinha central: ataque de pânico é o episódio; transtorno de pânico é a recorrência inesperada acompanhada de preocupação ou mudança comportamental persistente por pelo menos 1 mês.
Ataque noturno de pânico existe e não é sinônimo de terror noturno.
Em questões psiquiátricas, identifique primeiro o fenômeno agudo e depois procure o critério de duração que transforma o fenômeno em transtorno.
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Contexto
O paciente tem episódios súbitos e inesperados de medo intenso acompanhados de dispneia, palpitação, sudorese e náuseas. Esses episódios são ataques de pânico. O diagnóstico de transtorno de pânico exige algo além do ataque isolado: ataques recorrentes e inesperados, com pelo menos um deles seguido por 1 mês ou mais de preocupação persistente com novos ataques ou suas consequências, ou mudança comportamental mal-adaptativa relacionada às crises.
É exatamente o que ocorre aqui. Há crises pelo menos duas vezes por semana durante três meses e surgiu ansiedade antecipatória ao iniciar o sono. Ataques noturnos de pânico podem despertar a pessoa do sono abruptamente, com consciência do episódio e sintomas autonômicos intensos. Eles não devem ser confundidos com terror noturno, uma parassonia do sono N3 mais comum na infância, frequentemente acompanhada de confusão ao despertar e amnésia do evento.
O divórcio é um estressor contextual, mas não define o diagnóstico. O que fecha a questão é a combinação de recorrência + imprevisibilidade + ansiedade antecipatória persistente.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Ataques recorrentes e inesperados por meses, seguidos de ansiedade antecipatória, cumprem o padrão clínico de transtorno de pânico.
B) Incorreta. Terror noturno costuma surgir no primeiro terço da noite, a partir do sono de ondas lentas, com despertar incompleto, intensa ativação autonômica e pouca ou nenhuma lembrança posterior. O adulto deste caso desperta com um ataque típico e desenvolve medo consciente de que ele se repita.
C) Incorreta. Ataque de pânico é o nome do episódio agudo. Se a pergunta descrevesse uma crise única sem consequências persistentes, essa alternativa poderia ser suficiente. Aqui, a recorrência por três meses e a ansiedade antecipatória definem o transtorno.
D) Incorreta. Transtorno de ansiedade de separação é organizado em torno de medo excessivo de afastamento de figuras de apego. O caso não relaciona as crises à separação de uma pessoa específica.
E) Incorreta. Transtornos de sintomas somáticos envolvem preocupação persistente e desproporcional com sintomas físicos e sua interpretação. Não explicam tão bem episódios súbitos, estereotipados, com pico de medo e sintomas autonômicos.