Você atende em pronto-socorro uma criança de 3 meses de idade, com história de coriza, tosse e febre há 3 dias, que vem piorando progressivamente, com desconforto respiratório há 2 dias. Ao exame físico: regular estado geral, taquidispneica, com frequência respiratória de 72 movimentos por minuto, sibilos generalizados e saturação periférica de O2 = 90%. A radiografia de tórax mostra hiperinsuflação pulmonar.
Pegadinha central: bronquiolite não é asma do lactente. Oxigênio + hidratação são centrais; broncodilatador e corticoide não são rotina.
Primeiro episódio de sibilância em lactente pequeno, precedido de coriza, favorece bronquiolite.
Idade menor que 3 meses, hipoxemia, apneia e dificuldade alimentar aumentam a preocupação com gravidade e internação.
Antibiótico só entra quando há evidência de infecção bacteriana associada.
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Contexto
Lactente de 3 meses com pródromo de coriza e tosse, seguido de taquipneia, sibilância difusa e hiperinsuflação pulmonar, tem quadro típico de bronquiolite viral aguda. A bronquiolite é uma infecção das pequenas vias aéreas, mais frequentemente relacionada ao vírus sincicial respiratório, em que edema, necrose epitelial e secreções causam obstrução bronquiolar, aprisionamento de ar e aumento do trabalho respiratório.
O tratamento é predominantemente de suporte. A diretriz consolidada da OMS de 2026 para bronquiolite enfatiza avaliação de gravidade, critérios de hospitalização, oxigenoterapia e suporte adequado. Broncodilatadores, corticoides e antibióticos não devem ser usados de rotina na bronquiolite típica. Hidratação deve ser garantida, preferencialmente por via enteral quando segura; se o esforço respiratório impedir alimentação adequada, pode ser necessária via nasogástrica ou venosa.
Esta criança tem fatores que justificam internação: idade muito baixa, frequência respiratória de 72/min, desconforto e SpO2 de 90%. Embora diferentes protocolos usem pequenos ajustes no limiar de oxigênio, uma saturação de 90% associada a esforço respiratório em lactente de 3 meses exige monitorização estreita e suporte de oxigênio conforme a evolução.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. O lactente tem desconforto importante e saturação baixa, portanto não é candidato a manejo domiciliar. Além disso, prednisolona e fenoterol não são terapias rotineiras para bronquiolite típica.
B) Incorreta. Essa sequência lembra manejo de exacerbação asmática. Em um lactente de 3 meses com primeiro episódio de sibilância e pródromo viral, a hipótese é bronquiolite, na qual broncodilatadores repetidos e corticoide sistêmico não têm benefício rotineiro.
C) Incorreta. Internação e oxigênio são plausíveis, mas a alternativa adiciona antibiótico, corticoide e fenoterol sem evidência de infecção bacteriana ou indicação específica. O excesso terapêutico torna a opção errada.
D) Correta (gabarito). Internação, oxigenoterapia e manutenção da hidratação representam o núcleo do manejo de suporte da bronquiolite com hipoxemia e desconforto respiratório.
E) Incorreta. A criança precisa de internação, mas não há descrição de apneia, exaustão, falência ventilatória ou alteração grave de consciência que determine ventilação mecânica imediata. Corticoide também não é rotina.