Tercigesta, secundípara (1 cesárea), 28 anos de idade, 34 semanas, com diagnóstico de pré-eclâmpsia. Procurou pronto-socorro queixando-se de cefaleia, dor de estômago e visualização de pontos brilhantes há 2 horas. Exame físico: PA = 180 x 120 mmHg, edema de membros inferiores, altura uterina = 31 cm; FC = 140 bpm; apresentação cefálica, ausência de contrações, toque colo grosso, amolecido, medianizado, pérvio para 2 cm, bolsa íntegra. Cardiotocografia normal.
Pegadinha central: sulfato de magnésio na pré-eclâmpsia grave é para prevenir convulsão materna; não confunda com sua indicação de neuroproteção fetal.
PA ≥ 160 ou ≥ 110 mmHg persistente exige tratamento urgente.
Com sinais de gravidade e 34 semanas, estabilize e resolva; não atrase parto necessário para completar corticoide.
A via de parto é obstétrica, e não determinada apenas pelo diagnóstico de pré-eclâmpsia.
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Contexto
Esta gestante tem pré-eclâmpsia com sinais de gravidade e iminência de eclâmpsia: PA de 180 x 120 mmHg, cefaleia, sintomas visuais e epigastralgia. Pressão persistente ≥ 160 mmHg sistólica ou ≥ 110 mmHg diastólica exige tratamento anti-hipertensivo urgente. As opções aceitas incluem hidralazina intravenosa, labetalol intravenoso e nifedipino de liberação imediata por via oral, conforme disponibilidade e protocolo.
O ACOG Practice Bulletin sobre hipertensão na gestação, reafirmado em 2026, recomenda parto após estabilização em pré-eclâmpsia com sinais de gravidade a partir de 34 semanas. A via de parto, porém, é uma decisão obstétrica: pré-eclâmpsia grave não obriga cesárea por si só. Nesta questão, a cesariana foi a via escolhida pelo gabarito diante da necessidade de resolução rápida, cesárea prévia e colo pouco favorável. Esse detalhe deve ser separado dos componentes incontornáveis da conduta, que são controlar a hipertensão, administrar sulfato de magnésio e interromper a gestação.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Nifedipino pode ser usado no controle agudo, mas o sulfato de magnésio aqui tem indicação materna principal para prevenção de eclâmpsia, não apenas neuroproteção fetal. Aos 34 semanas, neuroproteção fetal com magnésio não é o objetivo central. A via do parto também deve ser individualizada.
B) Incorreta. Nifedipino é opção anti-hipertensiva, mas a alternativa omite sulfato de magnésio em uma paciente com sintomas neurológicos e hipertensão grave. Corticoide não substitui prevenção de eclâmpsia e não deve atrasar uma resolução indicada.
C) Incorreta. Hidralazina trata a pressão, mas profilaxia para EGB não responde ao risco materno imediato e a alternativa omite sulfato de magnésio.
D) Correta (gabarito). Reúne controle urgente da hipertensão com hidralazina, sulfato de magnésio para prevenção de eclâmpsia e resolução da gestação. A escolha da cesárea é a via adotada pelo gabarito no contexto obstétrico apresentado.
E) Incorreta. Gluconato de cálcio é o antídoto para toxicidade pelo sulfato de magnésio, não uma medicação profilática da pré-eclâmpsia. A alternativa também omite o magnésio que a paciente efetivamente necessita.