Doença arterial periférica e isquemia aguda

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Questão 5
UNIFESP · 2019

Homem, 59 anos de idade, apresenta dor súbita em membro inferior direito há 2 horas. Refere infarto agudo do miocárdio há 2 anos e nega claudicação prévia. Exame físico: ausência de todos os pulsos do membro inferior direito. Demais pulsos estão presentes e sem alterações.

Qual o diagnóstico mais provável e a conduta adequada?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

O quadro é de isquemia aguda de membro: dor de início súbito há poucas horas e perda de pulsos. A distinção etiológica mais cobrada é embolia versus trombose in situ. Embolia costuma causar início abrupto e intenso em um membro previamente assintomático, com pulsos normais nos demais territórios. Trombose aguda geralmente ocorre sobre doença arterial periférica preexistente, com claudicação prévia, pulsos cronicamente reduzidos e circulação colateral.

O antecedente de infarto do miocárdio fornece uma possível fonte cardíaca de êmbolo, como trombo ventricular em determinados contextos. As Diretrizes ESC 2024 para doença arterial periférica e aórtica recomendam, diante de isquemia aguda de membro, analgesia, anticoagulação imediata com heparina na ausência de contraindicação e revascularização urgente quando o membro é salvável e ameaçado. Na embolia de artéria previamente pérvia, a embolectomia cirúrgica com cateter de Fogarty é a abordagem clássica quando há indicação de revascularização imediata.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. O procedimento proposto é compatível com remoção de trombo, mas a etiologia descrita no caso não é a mais provável. Ausência de claudicação e pulsos normais nos demais membros favorecem embolia, não trombose sobre aterosclerose difusa.

B) Incorreta. Além de classificar o evento como trombótico, propõe anticoagulação como estratégia isolada. Em um membro agudamente ameaçado, heparina evita propagação do trombo, mas não substitui a revascularização urgente.

C) Correta (gabarito). O início abrupto em membro previamente assintomático, com pulsos preservados nos demais territórios e possível fonte cardíaca, aponta para embolia. A embolectomia com cateter de Fogarty restabelece rapidamente o fluxo e é a conduta definitiva clássica nesse cenário.

D) Incorreta. A heparinização é importante e deve ser instituída precocemente se não houver contraindicação, mas, quando há indicação de revascularização, não é tratamento definitivo isolado.

E) Incorreta. Angiografia pode ajudar no planejamento quando houver dúvida anatômica ou estratégia endovascular, mas não deve atrasar revascularização de um membro ameaçado quando o diagnóstico e a necessidade de intervenção são claros.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: heparina é medida inicial quase universal na isquemia aguda, mas não substitui revascularização quando o membro está ameaçado.

  • Embolia: início súbito, sem claudicação prévia, outros pulsos preservados. Trombose: história de doença arterial periférica e pulsos alterados em outros territórios.

  • As manifestações clássicas são dor, palidez, ausência de pulso, parestesia, paralisia e poiquilotermia; déficit sensitivo ou motor aumenta a urgência da revascularização.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Doença arterial periférica e isquemia aguda” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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