Mulher, 50 anos de idade, refere fogachos e irregularidade menstrual há 3 meses.
Pegadinha central: em mulher com 45 anos ou mais, fogachos e alteração menstrual geralmente fecham clinicamente a perimenopausa; se a prova obrigar a escolher o padrão laboratorial, pense em FSH elevado.
FSH sobe porque o ovário perde feedback negativo, com queda importante de inibina B; AMH e inibina diminuem, não aumentam.
Menopausa não é três meses de irregularidade: exige 12 meses de amenorreia para ser definida retrospectivamente.
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Contexto
Aos 50 anos, fogachos associados a mudança recente do padrão menstrual são típicos da transição menopausal. O mecanismo central é o esgotamento progressivo da reserva folicular. Com menos folículos funcionantes, cai sobretudo a produção de inibina B e, de forma progressiva, a produção estrogênica; perde-se parte do feedback negativo sobre a hipófise, e o FSH tende a se elevar. Durante a transição, porém, a função ovariana é errática, por isso FSH e estradiol podem oscilar bastante entre ciclos.
Há uma atualização importante em relação à forma como a questão foi construída. A The Menopause Society e a diretriz NICE atualizada em 2024 reforçam que, em mulheres com 45 anos ou mais, sintomas vasomotores novos associados a irregularidade menstrual permitem identificar a perimenopausa clinicamente, sem necessidade de exame hormonal de rotina. Uma dosagem isolada de FSH não confirma de modo definitivo a fase da transição. Portanto, o gabarito B deve ser entendido como o padrão hormonal clássico esperado quando a prova obriga a escolher um marcador, e não como exigência atual para diagnosticar uma mulher de 50 anos com quadro típico.
Menopausa propriamente dita é um diagnóstico retrospectivo, definido após 12 meses consecutivos de amenorreia sem outra causa. Esta paciente tem apenas três meses de irregularidade, portanto o quadro é de transição menopausal, não de menopausa estabelecida.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. O hormônio antimulleriano reflete reserva folicular e tende a cair, não a se elevar, à medida que a reserva ovariana diminui. Além disso, não é recomendado como exame para confirmar perimenopausa nessa faixa etária.
B) Correta (gabarito). A perda de feedback ovariano, especialmente pela queda de inibina B, favorece elevação do FSH. Embora a prática atual faça o diagnóstico clinicamente em mulheres com 45 anos ou mais e quadro típico, o FSH elevado é a alteração laboratorial clássica que a questão pretende reconhecer.
C) Incorreta. A direção da alteração está fisiologicamente correta, pois a inibina cai com a redução da atividade folicular. A pegadinha é que a questão pede o marcador tradicionalmente avaliado para caracterizar insuficiência da função ovariana, que é o FSH, enquanto a inibina não é exame confirmatório de rotina.
D) Incorreta. Prolactina reduzida não caracteriza a transição menopausal. A prolactina entra no raciocínio de amenorreia para pesquisar hiperprolactinemia quando há indicação clínica, e não para confirmar perimenopausa.
E) Incorreta. A progesterona pode ficar baixa em ciclos anovulatórios, comuns nessa fase, mas isso é consequência da ausência de corpo lúteo e não constitui o marcador diagnóstico escolhido para a transição menopausal.