Você é chamado para atender uma criança de 8 meses de idade que se encontra internada na enfermaria por pneumonia, em oxigenoterapia com máscara Venturi FiO2 40%. A enfermeira avisa que a criança está agitada, afebril, com frequência respiratória de 40 ipm, frequência cardíaca de 180 bpm e saturação de O2 no oxímetro de pulso de 92%.
Pegadinha central: interprete a SpO2 junto com a FiO2. SpO2 de 92% em ar ambiente e em FiO2 de 40% não representam a mesma gravidade.
Agitação e taquicardia podem preceder sinais tardios de falência respiratória.
Na deterioração respiratória, aumente suporte, cheque dispositivo e reavalie em sequência rápida. Não sedar primeiro.
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Contexto
Em uma criança internada com pneumonia, a abordagem imediata segue prioridade de via aérea e respiração. Ela já recebe FiO2 de 40% e, apesar disso, mantém SpO2 de 92%, agitação e taquicardia de 180 bpm. O número isolado da saturação não deve ser interpretado como se a criança estivesse em ar ambiente: alcançar apenas 92% sob uma fração inspirada de oxigênio elevada sugere troca gasosa comprometida e necessidade de intervenção imediata.
Protocolos atuais variam no limiar para iniciar oxigênio em pneumonia pediátrica, e a OMS utiliza valores inferiores a 90% em muitos cenários para definir hipoxemia que exige oxigenoterapia. Isso não contradiz o gabarito porque a paciente já está em oxigênio suplementar e apresenta sinais clínicos de deterioração. A prioridade é aumentar ou otimizar a oferta de oxigênio e reavaliar rapidamente esforço respiratório, nível de consciência, perfusão e resposta. Simultaneamente, deve-se verificar a posição da máscara, o fluxo, a fonte de oxigênio e o funcionamento do sistema.
Agitação pode ser manifestação precoce de hipóxia. Sedar uma criança agitada antes de corrigir uma possível insuficiência respiratória pode mascarar piora clínica e deprimir ventilação.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Nebulização com soro fisiológico não aumenta de forma confiável a oxigenação e não trata a prioridade fisiológica apresentada.
B) Correta (gabarito). Diante de saturação limítrofe apesar de FiO2 de 40%, associada a agitação e taquicardia, deve-se imediatamente otimizar a oferta de oxigênio e reavaliar a resposta clínica.
C) Incorreta. Fisioterapia pode ter indicação em situações selecionadas, mas não deve preceder a estabilização da oxigenação em uma criança potencialmente deteriorando.
D) Incorreta. Analgesia pode ser necessária se houver dor, mas sedação não corrige hipoxemia e pode deprimir o drive respiratório. Agitação em criança hipoxêmica deve ser tratada como possível sinal de gravidade até prova em contrário.
E) Incorreta. Conferir se a prescrição foi administrada e se o dispositivo está funcionando é parte da checagem imediata, mas não deve substituir a intervenção respiratória. O erro é colocar uma verificação administrativa como prioridade sobre a correção da possível hipoxemia.