Infecções congênitas (STORCH)

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Questão 49
UNIFESP · 2019

Você atende uma parturiente com idade gestacional de 39 semanas, sem alterações ao exame clínico, que foi tratada adequadamente para sífilis, antes da gestação. As sorologias realizadas no primeiro trimestre mostram os seguintes resultados: toxoplasmose, citomegalovírus e rubéola — IgG positiva e IgM negativa; hepatite B — HBsAg negativo e anti-HBs positivo. A sorologia para sífilis realizada no terceiro trimestre mostrou VDRL negativo e hemaglutinação indireta positiva.

Com esses resultados podemos afirmar que o recém-nascido tem risco de apresentar infecção congênita por qual dos seguintes agentes?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

A questão compara situações em que a sorologia materna indica infecção antiga ou imunidade. O agente que foge da regra é o citomegalovírus: a presença de IgG antes ou no início da gestação reduz o risco associado à primoinfecção, mas não elimina a possibilidade de infecção congênita, porque o CMV permanece latente e pode ocorrer reativação ou reinfecção por outra cepa durante a gravidez. O CDC, em sua atualização clínica de 2024, destaca que a transmissão fetal pode ocorrer após infecção primária, reinfecção ou reativação; na infecção materna não primária, o risco é bem menor, mas não é zero.

Outro ponto importante é que uma sorologia negativa para IgM no primeiro trimestre é uma fotografia daquele momento. Ela não impede que uma infecção não primária pelo CMV aconteça posteriormente.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Testes treponêmicos podem permanecer positivos por muitos anos ou por toda a vida após tratamento. Com tratamento adequado antes da gestação e VDRL negativo, o enunciado não fornece evidência de sífilis materna ativa ou reinfecção que sustente risco congênito atual.

B) Incorreta. IgG positiva com IgM negativa no início da gestação é compatível com toxoplasmose antiga. Em gestante imunocompetente, a transmissão congênita está ligada principalmente à infecção adquirida durante a gestação.

C) Incorreta. IgG para rubéola com IgM negativa indica imunidade prévia, por vacinação ou infecção passada, e não rubéola aguda gestacional.

D) Correta (gabarito). CMV é o agente da lista em que imunidade prévia não zera o risco fetal. Reativação ou reinfecção podem produzir infecção congênita, embora com risco de transmissão menor que na primoinfecção.

E) Incorreta. HBsAg negativo indica ausência de infecção ativa detectável, e anti-HBs positivo indica imunidade. Esse padrão não corresponde à situação materna de maior risco de transmissão vertical do HBV.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: IgG positiva protege da ideia de primoinfecção por CMV, mas não elimina citomegalovirose congênita.

  • Treponêmico positivo pode persistir após sífilis tratada; atividade e resposta terapêutica são acompanhadas por teste não treponêmico e contexto clínico.

  • HBsAg negativo mais anti-HBs positivo aponta para imunidade, não infecção ativa.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Infecções congênitas (STORCH)” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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