Você é chamado para atender uma criança de 2 anos internada por doença respiratória. A enfermeira relata que a criança está mais dispneica e gemente. Os controles dos sinais vitais mostram taquicardia persistente e taquipneia progressiva, sem febre associada. Ao exame físico: tiragem diafragmática e intercostal, retração de fúrcula e uso de musculatura acessória. Assimetria de expansão torácica com o hemitórax direito não expandindo na base. Ausculta com sons pulmonares abolidos e presença de macicez pulmonar à percussão em base direita.
Pegadinha central: macicez com som respiratório abolido sugere líquido; macicez com sopro tubário sugere consolidação.
Atelectasia é lembrada pela perda de volume; derrame volumoso pode fazer o oposto e ocupar espaço.
Na pneumonia pediátrica com piora clínica, procure derrame parapneumônico quando surgir assimetria ventilatória basal.
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Contexto
O exame físico descreve a síndrome pleural líquida: redução importante da expansibilidade do hemitórax, murmúrio vesicular abolido na base e macicez à percussão. O líquido no espaço pleural funciona como uma barreira à transmissão dos sons respiratórios e substitui o ar, produzindo macicez. Quando o derrame é volumoso, também limita mecanicamente a expansão pulmonar e agrava a dispneia.
Na criança internada por doença respiratória, um derrame parapneumônico é uma possibilidade clínica importante. Ultrassonografia torácica costuma ser excelente para confirmar líquido pleural, estimar volume e identificar septações, mas a questão pede o diagnóstico a partir da semiologia.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Pneumonia pode causar macicez, mas a consolidação alveolar costuma preservar ou aumentar a transmissão sonora, com crepitações, broncofonia ou sopro tubário. A abolição dos sons respiratórios associada à macicez e menor expansibilidade aponta mais diretamente para líquido pleural.
B) Incorreta. Atelectasia também reduz murmúrio e expansibilidade, porém deve trazer sinais de perda de volume, como retração do hemitórax, elevação do hemidiafragma ou desvio de estruturas para o lado afetado. Esses elementos não são descritos.
C) Incorreta. O fígado torna fisiologicamente mais maciça a percussão em região inferior direita, mas não explica ausência de expansão da base, abolição do murmúrio vesicular e piora respiratória progressiva.
D) Incorreta. Paralisia diafragmática altera o movimento do hemidiafragma e pode causar dispneia, mas não produz o conjunto clássico de líquido pleural com macicez e abolição dos sons respiratórios na base.
E) Correta (gabarito). A tríade de redução da expansibilidade, macicez à percussão e murmúrio vesicular muito diminuído ou abolido é a assinatura semiológica do derrame pleural.