Recém-nascido a termo com peso de 3500 gramas está com 60 horas de vida, recebendo aleitamento materno exclusivo e sem intercorrências, iniciou quadro de icterícia há 24 horas. Ao exame físico, encontra-se ictérico zona II leve e sem outras alterações. A tipagem sanguínea da mãe é A Rh positivo e do recém-nascido O Rh negativo.
Pegadinha central: a alternativa fala em “deficiência” de glicuroniltransferase, mas na icterícia fisiológica trata-se de atividade neonatal reduzida e transitória da UGT1A1.
Icterícia antes de 24 horas é patológica até prova em contrário; após 24 horas, o contexto clínico e a bilirrubina por idade em horas definem o risco.
Rh: mãe negativa e bebê positivo é a combinação de risco. ABO: a combinação clássica é mãe O e bebê A ou B.
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Contexto
O recém-nascido a termo está com 60 horas de vida, iniciou icterícia após as primeiras 24 horas, está bem, mamando e apresenta icterícia leve. Esse padrão é compatível com icterícia fisiológica, decorrente do balanço entre grande produção de bilirrubina e capacidade hepática ainda imatura de conjugá-la e excretá-la. Entre os mecanismos estão maior renovação eritrocitária, menor captação hepática, aumento da circulação entero-hepática e, principalmente para esta questão, atividade reduzida da enzima UDP-glicuronosiltransferase 1A1, a UGT1A1.
A alternativa usa a palavra “deficiência”, mas o conceito fisiológico correto é imaturidade transitória da conjugação, e não ausência enzimática grave como nas síndromes hereditárias de Crigler-Najjar. A diretriz da American Academy of Pediatrics de 2022 considera icterícia nas primeiras 24 horas um sinal de alerta para hemólise ou outra causa patológica; o início depois de 24 horas, em recém-nascido bem, favorece o padrão fisiológico, sempre interpretando o valor da bilirrubina conforme a idade em horas.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). A atividade neonatal reduzida da UGT1A1 limita a conjugação da bilirrubina e é um dos mecanismos centrais da hiperbilirrubinemia indireta fisiológica. “Deficiência” deve ser entendida aqui como atividade funcionalmente baixa e transitória.
B) Incorreta. Para doença hemolítica por Rh, o cenário clássico é mãe Rh negativa previamente sensibilizada e feto Rh positivo. Aqui a mãe é Rh positivo e o recém-nascido Rh negativo, combinação que não causa aloimunização anti-D materna contra o bebê.
C) Incorreta. A incompatibilidade ABO neonatal clinicamente relevante ocorre principalmente quando a mãe é grupo O e o recém-nascido A ou B, porque anticorpos maternos IgG anti-A ou anti-B podem atravessar a placenta. Mãe A e bebê O não formam esse padrão.
D) Incorreta. O fígado neonatal não apresenta aumento da captação como mecanismo principal. Ao contrário, a capacidade de processamento hepático da bilirrubina é relativamente imatura.
E) Incorreta. Deficiência de G6PD é causa de hemólise e pode produzir hiperbilirrubinemia importante, mas faltam sinais de hemólise, história de exposição oxidativa ou evolução desproporcional que sustentem essa hipótese.