Com relação ao atendimento inicial do paciente grande queimado,
Pegadinha central: a questão foi anulada porque todas as opções contêm pelo menos um erro técnico.
Wallace calcula %SCQ; fórmula de ressuscitação calcula volume. Não confunda função de cada regra.
Queimadura elétrica com mioglobinúria pede volume e monitorização de diurese; acidificar a urina está errado.
Na recomendação atual da ABA para adultos com queimaduras extensas, 2 mL/kg/%SCQ é um ponto inicial, sempre titulado pela resposta clínica.
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Contexto
A questão foi anulada oficialmente, porque nenhuma alternativa é integralmente correta. Na ressuscitação do grande queimado, o volume calculado é apenas um ponto de partida e deve ser titulado pela resposta clínica, sobretudo perfusão e débito urinário. A diretriz da American Burn Association publicada em 2024 para adultos com queimaduras de pelo menos 20% da superfície corporal recomenda iniciar a ressuscitação com cristaloide em torno de 2 mL/kg/%SCQ, em vez de 4 mL/kg/%SCQ, para reduzir sobrecarga volêmica; o débito urinário segue como parâmetro central de titulação. A albumina pode ser considerada como adjuvante, especialmente em queimaduras extensas ou quando há necessidade crescente de cristaloide, mas não é componente obrigatório universal da reposição inicial.
Comorbidades, idade, trauma associado, queimadura elétrica, atraso até o atendimento e resposta à reposição modificam a necessidade real de fluidos. Em adultos, glicose não integra rotineiramente a solução de ressuscitação do choque por queimadura. Em crianças pequenas, além da ressuscitação relacionada à área queimada, pode ser necessária solução de manutenção com glicose por menor reserva de glicogênio. A regra de Wallace serve para estimar a superfície corporal queimada, não para calcular hidratação.
Queimaduras elétricas profundas podem produzir rabdomiólise e mioglobinúria. A prioridade para prevenção de lesão renal é restaurar perfusão e manter diurese adequada com volume; diuréticos não substituem ressuscitação. Quando se considera alcalinização urinária em rabdomiólise, o objetivo é alcalinizar, e não acidificar, a urina, e a evidência para uso rotineiro de bicarbonato ou diuréticos na prevenção de lesão renal é limitada.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Condições clínicas prévias e traumas associados interferem diretamente na estratégia de reposição. Insuficiência cardíaca, doença renal, idade avançada, choque hemorrágico concomitante e queimadura elétrica exigem individualização e monitorização mais estreita.
B) Incorreta. Cristaloide, preferencialmente solução balanceada como Ringer lactato, é a base da ressuscitação. Glicose não é componente rotineiro da reposição do adulto grande queimado, e albumina é um adjuvante selecionado, não uma solução obrigatória para todos nas primeiras 24 horas.
C) Incorreta. A alternativa erra ao propor acidificação da urina. Na mioglobinúria por lesão elétrica, deve-se priorizar expansão volêmica e diurese adequada; quando bicarbonato é utilizado em situações selecionadas, busca-se alcalinização urinária. Furosemida não deve ser usada como substituto de volume nem como profilaxia renal automática.
D) Incorreta. Wallace estima a porcentagem de superfície corporal queimada. Fórmulas de ressuscitação relacionam peso e %SCQ, enquanto crianças também precisam de avaliação das necessidades de manutenção, especialmente nas faixas etárias menores.
E) Incorreta. Idosos e pacientes com insuficiência cardíaca ou renal realmente exigem titulação cuidadosa, ausculta, balanço hídrico e avaliação de perfusão, mas não existe regra universal de iniciar automaticamente com metade do volume calculado. Redução arbitrária pode causar hipoperfusão.