Adolescente de 14 anos de idade é atendido no pronto-socorro com história de urina “cor de coca-cola” e redução do volume urinário há 2 dias. Ao exame físico apresenta edema palpebral e de membros inferiores, ausculta cardíaca sem alteração e PA = 139 x 89 mmHg.
Pegadinha central: na síndrome nefrítica, hipertensão + edema + oligúria sugerem hipervolemia; a primeira droga é diurético de alça.
Urina coca-cola indica hematúria glomerular e costuma vir acompanhada de cilindros hemáticos no sedimento.
IECA é excelente para proteinúria crônica, mas exige cautela no cenário agudo com queda de filtração e hipercalemia potencial.
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Contexto
Urina escura tipo coca-cola, oligúria, edema e hipertensão compõem uma síndrome nefrítica aguda. O mecanismo da hipertensão e do edema, especialmente nas glomerulonefrites pós-infecciosas, é retenção renal de sódio e água por queda da filtração glomerular, levando a expansão do volume extracelular. Por isso, o tratamento farmacológico inicial deve atacar a hipervolemia.
A furosemida, um diurético de alça, aumenta a natriurese e a diurese, reduzindo edema e pressão arterial. O manejo costuma ser associado a restrição de sódio e, conforme a intensidade da oligúria e da hipervolemia, ajuste da oferta hídrica. Se a hipertensão persistir apesar da correção volêmica, podem ser acrescentados anti-hipertensivos, com escolha guiada pela gravidade e pela função renal.
O caso é muito sugestivo de glomerulonefrite aguda pós-infecciosa, mas o enunciado não fornece história infecciosa nem exames de complemento. Para responder, basta reconhecer a síndrome nefrítica e a sobrecarga de volume.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Betabloqueador pode reduzir pressão em situações específicas, mas não corrige a retenção hidrossalina que sustenta edema, oligúria e hipertensão neste quadro.
B) Incorreta. IECA é útil em várias nefropatias crônicas com proteinúria, porém não é a primeira medida em uma síndrome nefrítica aguda oligúrica com possível lesão renal aguda. Pode piorar a filtração ou provocar hipercalemia em determinados contextos.
C) Correta (gabarito). Furosemida trata diretamente a expansão volêmica, reduz edema e costuma melhorar a hipertensão dependente de volume, sendo a melhor intervenção farmacológica inicial entre as opções.
D) Incorreta. Corticoide não é tratamento de rotina para glomerulonefrite pós-estreptocócica típica. Imunossupressão é reservada a etiologias específicas, como algumas glomerulonefrites rapidamente progressivas.
E) Incorreta. Bloqueador de canal de cálcio pode ser acrescentado se a pressão permanecer elevada ou se houver hipertensão importante, mas não trata inicialmente o mecanismo central de hipervolemia.