Menino de 11 anos de idade, vítima de atropelamento, é trazido à emergência inconsciente, bradipneico e com quadro de choque hipotensivo. Após 2 tentativas de acesso venoso periférico sem sucesso,
Pegadinha central: marque femoral nesta questão específica, mas saiba que a conduta atual frequentemente favorece IO após falha rápida do acesso IV.
Em choque, acesso vascular é meio para ressuscitar, não um fim. A prioridade é obter uma rota funcional sem atrasar volume, sangue ou medicamentos.
Tíbia proximal é um dos sítios intraósseos pediátricos mais lembrados em prova.
Questões antigas de trauma podem divergir dos algoritmos atuais. Quando isso ocorrer, preserve o gabarito histórico e identifique a atualização.
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Contexto
A questão foi construída a partir de uma referência de trauma pediátrico que, após duas tentativas periféricas sem sucesso em uma criança maior com choque, priorizava obtenção de acesso venoso calibroso pela veia femoral. A via femoral oferece acesso central de grande calibre, é compressível em caso de sangramento e evita manipulação da região cervical ou risco de complicações pleuropulmonares da subclávia. É essa lógica que sustenta o gabarito oficial C.
Há divergência relevante com a prática contemporânea. Em uma criança criticamente instável, o princípio atual é não perder tempo com tentativas vasculares demoradas. Diretrizes modernas de ressuscitação pediátrica reconhecem o acesso intraósseo como via rápida, segura e efetiva quando o acesso intravenoso não é obtido prontamente. Assim, em muitos algoritmos atuais, após falha rápida do acesso periférico, uma agulha intraóssea, frequentemente na tíbia proximal, seria estabelecida antes de se gastar tempo com um acesso venoso central. As diretrizes AHA/AAP PALS de 2025, no contexto de parada cardiorrespiratória pediátrica, reconhecem o IO como via rápida, segura e efetiva e orientam escolher IV ou IO conforme disponibilidade, experiência e rapidez. Em choque pediátrico, o mesmo princípio de não atrasar o acesso vascular é aplicado na prática de emergência.
Portanto, para esta prova, deve-se marcar C porque o gabarito é fixo e reflete a referência adotada pela banca. Para a prática e para provas atuais, memorize também a mudança de prioridade: choque pediátrico + IV não obtido rapidamente = considere IO imediatamente.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. É incorreta apenas em relação ao gabarito e à referência histórica desta questão. Pela abordagem contemporânea de ressuscitação pediátrica, a tíbia proximal é um sítio intraósseo clássico e esta opção frequentemente seria priorizada quando o acesso IV não é obtido com rapidez.
B) Incorreta. Cateterização da jugular interna exige técnica mais demorada, pode interferir na avaliação cervical do politrauma e não deve atrasar ressuscitação quando há alternativas mais rápidas.
C) Correta (gabarito). Segundo a referência empregada pela banca, a veia femoral permite obtenção de acesso venoso calibroso em uma criança maior em choque após falha de duas tentativas periféricas. É a resposta oficial, embora algoritmos atuais frequentemente antecipem o acesso IO.
D) Incorreta. A subclávia pode causar pneumotórax, hemotórax e outras complicações torácicas, além de ser menos atraente durante a abordagem inicial de um politraumatizado instável.
E) Incorreta. Além de não corresponder ao gabarito, a tíbia distal é menos clássica do que a proximal para acesso IO pediátrico. Quando se escolhe IO tibial em emergência, a tíbia proximal é um dos sítios de referência.