Claudicação na infância

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Questão 48
UNIFESP · 2019

Menino saudável com 2 anos de idade apresenta claudicação há 3 dias e teve infecção das vias aéreas superiores na semana anterior. No exame físico, está em bom estado geral e afebril, com discreta limitação de quadril direito à rotação interna. Os exames laboratoriais estão normais, exceto por discreto aumento de velocidade de hemossedimentação (30 mm na 1a hora).

Qual a conduta neste caso?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Claudicação aguda após infecção viral de vias aéreas superiores, criança em bom estado geral, afebril, com discreta limitação dolorosa do quadril e pouca repercussão inflamatória é o cenário típico de sinovite transitória do quadril. Trata-se de inflamação autolimitada, frequentemente pós-viral, cujo principal desafio é não confundir com artrite séptica.

Os critérios clássicos de Kocher ajudam nessa diferenciação. Eles não substituem o julgamento clínico, mas organizam o risco:

A modificação de Caird acrescenta PCR acima de 20 mg/L como fator de preocupação. Aqui, os dados apontam para baixa probabilidade de artrite séptica. O manejo é conservador, com repouso relativo, analgesia ou anti-inflamatório quando indicado e reavaliação precoce em 24 a 48 horas. Piora da dor, febre, recusa de apoio ou elevação dos marcadores inflamatórios exige reabrir a investigação.

Alternativa por alternativa

A) Correta (gabarito). A criança está estável, afebril e com poucos marcadores de artrite séptica. A reavaliação em 24 a 48 horas confirma a evolução esperada da sinovite transitória e permite detectar rapidamente qualquer mudança de padrão.

B) Incorreta. Artrocentese é apropriada quando a suspeita de artrite séptica é relevante, especialmente com febre, incapacidade de apoiar, inflamação sistêmica importante ou derrame articular associado a alto risco clínico. Esses sinais não estão presentes.

C) Incorreta. Antibiótico empírico é indicado quando há suspeita de infecção bacteriana articular, idealmente após obtenção de culturas quando isso não atrasa o tratamento. O quadro atual não justifica antibioticoterapia imediata.

D) Incorreta. Tomografia não é exame de rotina para sinovite transitória. Se houver necessidade de documentar derrame, a ultrassonografia é mais simples e sem radiação; ressonância fica reservada para diagnósticos alternativos ou casos atípicos.

E) Incorreta. Ácido acetilsalicílico em dose alta não é tratamento da sinovite transitória. O tratamento sintomático, quando necessário, é feito com analgésicos ou anti-inflamatórios usuais, além de repouso relativo.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: VHS de 30 mm/h está aumentado, mas não atinge o corte clássico de Kocher de 40 mm/h.

  • Sinovite transitória costuma vir após virose e a criança permanece bem e afebril; artrite séptica costuma ter dor intensa, febre e recusa de apoio.

  • Quadro típico e de baixo risco pede observação com retorno próximo, não punção ou antibiótico automático.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Claudicação na infância” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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