Menino saudável com 2 anos de idade apresenta claudicação há 3 dias e teve infecção das vias aéreas superiores na semana anterior. No exame físico, está em bom estado geral e afebril, com discreta limitação de quadril direito à rotação interna. Os exames laboratoriais estão normais, exceto por discreto aumento de velocidade de hemossedimentação (30 mm na 1a hora).
Pegadinha central: VHS de 30 mm/h está aumentado, mas não atinge o corte clássico de Kocher de 40 mm/h.
Sinovite transitória costuma vir após virose e a criança permanece bem e afebril; artrite séptica costuma ter dor intensa, febre e recusa de apoio.
Quadro típico e de baixo risco pede observação com retorno próximo, não punção ou antibiótico automático.
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Contexto
Claudicação aguda após infecção viral de vias aéreas superiores, criança em bom estado geral, afebril, com discreta limitação dolorosa do quadril e pouca repercussão inflamatória é o cenário típico de sinovite transitória do quadril. Trata-se de inflamação autolimitada, frequentemente pós-viral, cujo principal desafio é não confundir com artrite séptica.
Os critérios clássicos de Kocher ajudam nessa diferenciação. Eles não substituem o julgamento clínico, mas organizam o risco:
A modificação de Caird acrescenta PCR acima de 20 mg/L como fator de preocupação. Aqui, os dados apontam para baixa probabilidade de artrite séptica. O manejo é conservador, com repouso relativo, analgesia ou anti-inflamatório quando indicado e reavaliação precoce em 24 a 48 horas. Piora da dor, febre, recusa de apoio ou elevação dos marcadores inflamatórios exige reabrir a investigação.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). A criança está estável, afebril e com poucos marcadores de artrite séptica. A reavaliação em 24 a 48 horas confirma a evolução esperada da sinovite transitória e permite detectar rapidamente qualquer mudança de padrão.
B) Incorreta. Artrocentese é apropriada quando a suspeita de artrite séptica é relevante, especialmente com febre, incapacidade de apoiar, inflamação sistêmica importante ou derrame articular associado a alto risco clínico. Esses sinais não estão presentes.
C) Incorreta. Antibiótico empírico é indicado quando há suspeita de infecção bacteriana articular, idealmente após obtenção de culturas quando isso não atrasa o tratamento. O quadro atual não justifica antibioticoterapia imediata.
D) Incorreta. Tomografia não é exame de rotina para sinovite transitória. Se houver necessidade de documentar derrame, a ultrassonografia é mais simples e sem radiação; ressonância fica reservada para diagnósticos alternativos ou casos atípicos.
E) Incorreta. Ácido acetilsalicílico em dose alta não é tratamento da sinovite transitória. O tratamento sintomático, quando necessário, é feito com analgésicos ou anti-inflamatórios usuais, além de repouso relativo.