Nódulo mamário

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Questão 93
UNIFESP · 2019

Mulher, 47 anos de idade, assintomática, realizou uma Ultrassonografia (US) de mamas que detectou nódulo de forma redonda, margens não circunscritas, com reforço posterior e medindo 1,7 cm no maior eixo.

Qual é a hipótese diagnóstica mais provável e a conduta?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Na ultrassonografia mamária, a forma redonda e o reforço acústico posterior, isoladamente, não tornam uma lesão benigna. O dado que muda a categoria de suspeição é a margem não circunscrita. No léxico BI-RADS, margens indistintas, anguladas, microlobuladas ou espiculadas pertencem ao grupo não circunscrito e elevam a suspeita de malignidade. O ACR BI-RADS 2025 mantém a lógica de que achados classificados como BI-RADS 4 ou 5 devem ser submetidos a diagnóstico tecidual.

Reforço posterior é frequentemente lembrado como característica de cisto, mas um cisto simples precisa preencher o conjunto clássico: conteúdo anecoico, forma redonda ou oval, margens circunscritas e reforço posterior. Portanto, a margem não circunscrita impede chamar esse nódulo de cisto simples e torna inadequado ancorar o diagnóstico apenas no reforço posterior.

Quando a lesão suspeita é claramente visível à ultrassonografia, a via preferida para amostragem é biópsia percutânea por agulha grossa, core biopsy, guiada por ultrassom. O método fornece cilindros de tecido, preserva arquitetura histológica e permite diagnóstico de invasão e estudos imuno-histoquímicos. Biópsia guiada por mamografia, especialmente estereotaxia ou vácuo, é mais útil para alvos predominantemente mamográficos, como microcalcificações suspeitas não identificáveis ao ultrassom.

Alternativa por alternativa

A) Correta (gabarito). A margem não circunscrita torna o nódulo suspeito de malignidade, e, como o alvo é visto ao ultrassom, a core biopsy guiada por ultrassonografia é a estratégia apropriada para obter diagnóstico histológico.

B) Incorreta. Fibroadenomas clássicos tendem a ser ovais, paralelos à pele e circunscritos. Além disso, não há razão para escolher mamografia como método de guia de uma lesão já identificada ao ultrassom.

C) Incorreta. O reforço posterior pode ocorrer em lesões císticas, mas o enunciado não descreve os critérios de cisto simples ou complexo. A margem não circunscrita desloca o raciocínio para lesão sólida suspeita, que exige biópsia histológica.

D) Incorreta. A suspeita de câncer é coerente, porém a técnica de guia é inadequada para o alvo descrito. Se o nódulo é visível ao ultrassom, o procedimento deve ser guiado por ultrassonografia; biópsia a vácuo guiada por mamografia é especialmente útil para lesões mamográficas, como microcalcificações.

E) Incorreta. Além de o padrão não ser típico de fibroadenoma, a punção aspirativa por agulha fina fornece células, não cilindros com arquitetura. Para nódulo sólido suspeito, a core biopsy é mais adequada.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: reforço posterior não significa automaticamente cisto; se a margem é não circunscrita, a lesão é suspeita.

  • Lesão suspeita vista ao ultrassom: pense em core biopsy guiada por ultrassom.

  • Microcalcificação suspeita vista na mamografia e não no ultrassom: aí sim a via estereotáxica ou mamográfica ganha protagonismo.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Nódulo mamário” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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