Mulher, 65 anos de idade, hipertensa, obesa e diabética, refere sangramento vaginal há 7 meses. Identificou-se espessamento endometrial = 9 mm à ultrassonografia. O resultado da biópsia do endométrio evidenciou adenocarcinoma endometrioide G1.
Pegadinha central: câncer de endométrio não se trata com histerectomia subtotal; o colo deve sair na peça, portanto a cirurgia é total.
Endometrioide G1 sugere baixo grau, mas o risco definitivo depende também de invasão miometrial, invasão linfovascular, estágio e, atualmente, perfil molecular.
No baixo risco, linfadenectomia pélvica e para-aórtica sistemática não é automática; a estratégia moderna usa linfonodo sentinela quando o estadiamento nodal é indicado.
Lavado peritoneal pode aparecer em provas antigas, mas não é obrigatório no estadiamento contemporâneo.
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Contexto
Sangramento pós-menopausa em mulher de 65 anos exige investigação endometrial. Obesidade, diabetes e hipertensão compõem um perfil frequentemente associado a maior exposição estrogênica relativa e maior risco de carcinoma endometrial. O diagnóstico já foi estabelecido por biópsia: adenocarcinoma endometrioide G1, isto é, tumor de baixo grau histológico.
Para carcinoma endometrial aparentemente inicial, o componente cirúrgico básico é histerectomia total com salpingo-ooforectomia bilateral. A histerectomia deve ser total porque o colo integra a peça oncológica, e, em mulher pós-menopáusica, a preservação ovariana não é a conduta padrão. A atualização ESGO, ESTRO e ESP de 2025 também incorpora estadiamento linfonodal e classificação molecular ao planejamento; em doença de baixo risco, a avaliação linfonodal contemporânea privilegia mapeamento de linfonodo sentinela e a linfadenectomia pélvica e para-aórtica sistemática não é rotina. Em casos de baixo risco sem invasão miometrial, o estadiamento linfonodal pode ser omitido.
A prova usa uma formulação histórica ao incluir lavado peritoneal como parte da alternativa correta. A citologia peritoneal não é mais obrigatória para o estadiamento do câncer de endométrio, embora possa ser coletada em situações selecionadas. Assim, mantém-se o gabarito E porque, entre as opções fornecidas, é a única que reúne histerectomia total e retirada bilateral de tubas e ovários sem impor linfadenectomia sistemática inadequada como regra.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A salpingo-ooforectomia bilateral está adequada, mas a histerectomia subtotal deixa o colo uterino. Esse não é o procedimento oncológico padrão para carcinoma endometrial.
B) Incorreta. A histerectomia total está correta, porém a alternativa propõe apenas salpingectomia e preserva os ovários. Em uma mulher de 65 anos com câncer de endométrio, a cirurgia padrão inclui retirada bilateral dos ovários.
C) Incorreta. Há dois problemas: a histerectomia é subtotal e, portanto, deixa o colo; além disso, acrescenta linfadenectomia pélvica e para-aórtica sistemática como se fosse obrigatória em um tumor G1 aparentemente inicial.
D) Incorreta. Apesar da histerectomia total, a alternativa preserva os ovários e ainda impõe linfadenectomia sistemática. O estadiamento linfonodal atual é individualizado pelo risco e frequentemente realizado com linfonodo sentinela, não com dissecção sistemática automática.
E) Correta (gabarito). É a opção que contém o núcleo correto da cirurgia oncológica para essa paciente: histerectomia total com salpingo-ooforectomia bilateral. O lavado peritoneal reflete a abordagem histórica da questão e não é hoje obrigatório para estadiamento.