Gestante de 29 semanas, secundigesta, primípara (parto normal de termo), procura pronto atendimento com queixa de dores no baixo-ventre há 2 dias. Exame físico: afebril; FC = 88 bpm; PA = 100 x 60 mmHg; altura uterina = 26 cm; FCF = 144 bpm; detecta-se 1 contração uterina em 10 minutos, com duração de 20 segundos, toque com colo amolecido, longo, pérvio para 1 dedo, apresentação cefálica, bolsa íntegra.
Pegadinha central: contração uterina isolada não fecha trabalho de parto prematuro; procure regularidade e mudança cervical.
Tocolítico compra tempo, geralmente até 48 horas, para corticoide e transferência, não trata a causa da prematuridade.
Antes de 32 semanas e com parto iminente, pense em sulfato de magnésio para neuroproteção fetal.
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Contexto
Trabalho de parto prematuro não é sinônimo de qualquer contração antes de 37 semanas. O diagnóstico exige atividade uterina compatível associada a modificação cervical. ACOG considera especialmente sugestivos contrações regulares com mudança progressiva do colo ou apresentação já com dilatação cervical significativa. Nesta paciente de 29 semanas há apenas uma contração em 10 minutos, com 20 segundos, e o colo está longo, embora amolecido e pérvio para um dedo. Não foi demonstrada progressão cervical.
Assim, a etapa que falta é demonstrar se as contrações se tornam regulares e se o colo se modifica. ACOG ressalta que tocolíticos tipicamente não são indicados quando há sintomas de trabalho de parto prematuro sem mudança cervical. Nifedipino é opção frequente quando há indicação de tocólise; beta-agonistas como terbutalina têm mais efeitos adversos e não são escolha rotineira de primeira linha.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). A paciente ainda não preenche critérios seguros de trabalho de parto prematuro estabelecido. Observação com nova avaliação da dinâmica uterina e do colo evita tratamento desnecessário e permite identificar progressão verdadeira.
B) Incorreta. Atosibana e nifedipino são fármacos tocóliticos possíveis em contextos selecionados, mas não se deve iniciar tocólise apenas por uma contração esparsa sem progressão cervical documentada.
C) Incorreta. O problema principal continua sendo a ausência de diagnóstico de trabalho de parto prematuro. Além disso, terbutalina não é opção preferencial para uso rotineiro por seu perfil de efeitos adversos.
D) Incorreta. Corticoide e tocólise são úteis quando há risco real de parto prematuro em curto prazo. O caso ainda não demonstrou esse risco, e incluir terbutalina como equivalente de rotina também enfraquece a alternativa.
E) Incorreta. Com 29 semanas, sulfato de magnésio seria apropriado para neuroproteção se o parto fosse considerado iminente, o que não foi demonstrado. Corticoterapia também depende de risco relevante de nascimento em curto prazo.