Pegadinha central: quando a banca perguntar onde o transplante fecal tem evidência forte, pense em C. difficile recorrente.
Doença inflamatória intestinal, síndrome metabólica e outras aplicações de microbiota ainda não têm o mesmo status terapêutico.
O transplante fecal não é tratamento de primeira linha de todo episódio de C. difficile; a força da indicação aparece na recorrência e em cenários selecionados.
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Contexto
O transplante de microbiota fecal busca restaurar uma microbiota intestinal capaz de resistir à colonização por patógenos. A indicação com evidência clínica mais consolidada é a infecção recorrente por Clostridioides difficile, particularmente após recorrências apesar de tratamento antimicrobiano adequado.
A diretriz da American Gastroenterological Association de 2024 sugere terapias baseadas em microbiota fecal para adultos imunocompetentes com infecção recorrente por C. difficile após conclusão do tratamento antimicrobiano padrão. A mesma diretriz não recomenda transplante fecal rotineiro para doença de Crohn fora de ensaios clínicos. Assim, a prova contrapõe uma indicação estabelecida a aplicações ainda experimentais ou sem indicação.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Diarreia por Escherichia coli entero-hemorrágica não é indicação estabelecida de transplante fecal. O manejo é predominantemente de suporte, e antibióticos podem ser evitados em cepas produtoras de toxina Shiga pelo risco de síndrome hemolítico-urêmica.
B) Correta (gabarito). A recorrência por Clostridioides difficile é a situação em que existe o corpo de evidências mais robusto e recomendações formais para terapias de restauração da microbiota em pacientes selecionados.
C) Incorreta. Em doença de Crohn refratária, transplante fecal permanece investigacional e não substitui as estratégias terapêuticas estabelecidas. A AGA de 2024 recomenda seu uso apenas em contexto de pesquisa clínica.
D) Incorreta. Alterações metabólicas após manipulação da microbiota são objeto de pesquisa, mas síndrome metabólica não é indicação clínica consolidada de transplante fecal.
E) Incorreta. Linfangiectasia intestinal decorre de alteração do fluxo linfático intestinal e perda proteica, não de uma disbiose tratável por transplante de microbiota.