Secundigesta com parto normal anterior, 37 anos de idade, novo parceiro na gravidez atual. Recebeu resultado de sorologia positiva para HIV com 13 semanas de gestação. Indicada terapia antirretroviral. A paciente questiona quanto a melhor via de parto e aleitamento materno.
Pegadinha central: HIV com carga viral suprimida não obriga cesárea.
No Brasil, mesmo com carga viral indetectável, recomenda-se não amamentar.
Carga viral próxima ao parto, e não apenas o antecedente obstétrico, orienta a estratégia intraparto.
Esta questão tem duplicidade material entre C e E; para fins de gabarito, marque E.
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Contexto
Na gestante vivendo com HIV, a principal variável para definir medidas intraparto é a carga viral próxima ao parto, junto das indicações obstétricas. Com terapia antirretroviral eficaz e carga viral suprimida, o parto vaginal pode ser realizado quando não existe indicação obstétrica de cesárea. Carga viral elevada ou desconhecida modifica a estratégia e pode indicar cesárea programada e profilaxias intraparto específicas.
No Brasil, o PCDT do Ministério da Saúde para prevenção da transmissão vertical, atualizado em 2024, mantém a recomendação de não amamentar pessoas vivendo com HIV, mesmo com carga viral indetectável, porque o vírus pode ser transmitido pelo leite humano. Essa orientação brasileira difere de algumas políticas internacionais que admitem amamentação sob terapia antirretroviral e acompanhamento rigoroso em contextos específicos.
Existe uma falha formal no item: as alternativas C e E expressam praticamente a mesma conduta, pois 'o aleitamento materno não está liberado' e 'o aleitamento materno está contraindicado' têm o mesmo efeito clínico. Mantendo o gabarito oficial, a alternativa E é a resposta a ser marcada.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Cesárea eletiva não é obrigatória independentemente da carga viral. Com supressão viral adequada, a via de parto pode seguir critérios obstétricos.
B) Incorreta. Carga viral acima de 1.000 cópias/mL no fim da gestação exige reavaliação da via de parto; o antecedente de parto vaginal não autoriza ignorar a carga viral.
C) Incorreta. Segundo o gabarito oficial, esta não é a alternativa escolhida. Do ponto de vista clínico, porém, seu conteúdo é essencialmente equivalente ao da alternativa E: carga viral indetectável permite parto vaginal por critérios obstétricos e o aleitamento não é recomendado no protocolo brasileiro. Isso torna a questão formalmente ambígua.
D) Incorreta. Não existe regra geral de que toda gestação com HIV e carga viral indetectável deva terminar antes ou exatamente em 39 semanas. Além disso, no protocolo brasileiro a amamentação não fica a critério materno.
E) Correta (gabarito). Com carga viral indetectável ao final do pré-natal, a via vaginal é possível quando não há contraindicação obstétrica, e o Ministério da Saúde recomenda não amamentar.