Mulher, 17 anos de idade, apresenta febre alta, cefaleia, dores articulares e prostração há dois dias. Mora na cidade de São Paulo e nega viagens recentes. Refere vacinação em dia. Seu pai, de 48 anos, apresentou quadro semelhante há uma semana. Exame físico: T = 38,5°C; FC = 108 bpm; exantema maculopapular difuso; enchimento capilar lento; dor intensa à palpação do abdome; sem visceromegalias.
Pegadinha central: a presença de dor abdominal intensa muda dengue sem complicação para dengue com sinal de alarme.
Enchimento capilar lento indica hipoperfusão e exige reavaliação frequente; choque estabelecido reclassifica o caso como dengue grave.
Na prova, não se prenda ao exantema. O que determina a conduta é o sinal de alarme e o estado hemodinâmico.
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Contexto
O quadro é compatível com dengue e apresenta sinal de alarme inequívoco: dor abdominal intensa. O Ministério da Saúde inclui dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, acúmulo de líquidos, sangramento de mucosa, letargia ou irritabilidade, hepatomegalia e alterações hemodinâmicas entre os sinais que indicam maior risco de extravasamento plasmático e evolução para choque.
A adolescente também apresenta enchimento capilar lento, indicando perfusão periférica comprometida. Na classificação prática usada no Brasil, dengue com sinais de alarme requer observação hospitalar e hidratação intravenosa com cristaloide, além de monitorização clínica e hematológica. Se surgirem critérios de choque franco ou disfunção orgânica grave, o manejo deve ser escalonado para dengue grave.
O exantema e a febre podem confundir com sarampo ou chikungunya. Sarampo costuma vir acompanhado de tosse, coriza e conjuntivite, com evolução típica do exantema; chikungunya pode causar artralgia marcante e persistente, mas a dor abdominal intensa e a hipoperfusão são particularmente relevantes para a classificação de risco da dengue.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. O quadro não traz a síndrome catarral clássica do sarampo e a paciente tem vacinação em dia. Além disso, hidratação oral simples seria insuficiente diante de dor abdominal intensa e perfusão periférica lentificada.
B) Incorreta. Embora internação possa ser apropriada para paciente instável, o diagnóstico proposto de sarampo não é o que melhor integra febre, exantema, dor abdominal intensa e sinais circulatórios.
C) Incorreta. O diagnóstico de dengue é plausível, mas a alternativa subestima a gravidade. Dor abdominal intensa é sinal de alarme, e o enchimento capilar lento reforça necessidade de hidratação endovenosa e observação monitorizada.
D) Correta (gabarito). Dengue com sinais de alerta é a melhor classificação proposta. A dor abdominal intensa fecha o critério de alarme e a perfusão lenta exige atenção hemodinâmica, justificando internação ou observação hospitalar com hidratação intravenosa.
E) Incorreta. Chikungunya costuma chamar atenção por artralgia muito intensa, muitas vezes incapacitante e persistente. Neste caso, o achado discriminador para conduta é a dor abdominal intensa com alteração de perfusão, que aponta para dengue com sinal de alarme.