Asma e sibilância na infância

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Questão 79
UNIFESP · 2020

Menino, 8 anos de idade, vai à consulta pediátrica numa UBS. Ele é asmático e recebe beclometasona inalatória 100 mcg/dia como medicação de controle há 3 meses. A mãe refere que nas últimas 4 semanas seu filho tem tossido à noite 1 vez por semana e tem necessitado de broncodilatador de resgate 2 a 3 vezes por semana por apresentar tosse e chiado no peito.

Qual a conduta a se tomar para esta criança, de acordo com as orientações do GINA 2018?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

O menino de 8 anos usa corticoide inalatório de manutenção, mas nas últimas 4 semanas apresentou sintoma noturno semanal e precisou de broncodilatador de resgate 2 a 3 vezes por semana. Pela lógica do GINA 2018, a asma não está plenamente controlada e pode ser necessário subir um degrau terapêutico. Antes disso, porém, há uma regra que a banca costuma cobrar: não se intensifica tratamento sem checar primeiro adesão, técnica inalatória, exposições e comorbidades.

Essa etapa evita classificar como falha farmacológica situações em que o medicamento não está chegando ao pulmão, está sendo usado de forma irregular ou há fatores perpetuadores, como rinite não controlada, fumaça, alérgenos relevantes ou diagnóstico alternativo. Se esses pontos estiverem adequados e o descontrole persistir, a terapia controladora pode ser intensificada. Na lógica da questão, isso corresponde a aumentar a beclometasona de 100 para 200 mcg/dia.

O GINA 2026 mantém o mesmo princípio de revisar adesão, técnica, fatores de risco e comorbidades antes de subir o tratamento, embora os esquemas preferenciais atuais de controle e alívio tenham sido atualizados em relação a 2018. Corticoide sistêmico contínuo não é conduta para esse grau de descontrole e deve ser reservado a indicações específicas, sobretudo exacerbações importantes ou asma grave refratária sob avaliação especializada.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Aumentar imediatamente o corticoide inalatório sem checar as causas corrigíveis do descontrole viola a sequência recomendada. Além disso, broncodilatador de resgate não deve ser prescrito para uso diário programado e corticoide sistêmico por 5 a 7 dias é tratamento de exacerbação, não de sintomas crônicos leves sem crise aguda descrita.

B) Incorreta. A proposta representa escalonamento excessivo: dose alta de corticoide inalatório, broncodilatador de longa ação, antileucotrieno e xantina ao mesmo tempo, sem revisão prévia da adesão e da técnica.

C) Incorreta. Acerta ao exigir revisão da técnica, mas associa intensificação múltipla e corticoide sistêmico diário, o que não é indicado para esse cenário. O tratamento oral crônico tem importante toxicidade e não é etapa rotineira para uma criança apenas parcialmente controlada.

D) Correta (gabarito). Primeiro devem ser checados adesão, técnica do dispositivo e comorbidades. Persistindo descontrole verdadeiro, o corticoide inalatório pode ser intensificado conforme o degrau terapêutico previsto na referência da questão.

E) Incorreta. Propõe dose elevada e corticoide sistêmico diário sem justificativa, além de pular a etapa de confirmar adesão e outras causas de controle inadequado. Higiene ambiental pode ser útil quando há exposição relevante, mas não corrige o excesso terapêutico proposto.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: antes de subir o degrau da asma, revise adesão, técnica inalatória, comorbidades e exposições.

  • Corticoide sistêmico curto é para exacerbação relevante; uso diário crônico não é tratamento de rotina da asma parcialmente controlada.

  • Mesmo com mudanças entre GINA 2018 e GINA 2026, a regra de corrigir causas modificáveis antes do escalonamento permanece.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Asma e sibilância na infância” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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