Homem, 19 anos de idade, apresenta tosse com expectoração amarela, sem sangue, há 3 dias, acompanhada de dor torácica posterior direita e febre de 38,5oC. Nega falta de ar, doenças associadas, tabagismo, etilismo ou viagens recentes. Exame físico: FR 16 irpm, SatO2 97% ar ambiente, FC 95 bpm, PA 120 x 80 mmHg; estertores crepitantes finos na base posterior do pulmão direito; restante sem alterações. Radiografia de tórax: consolidação segmentar em lobo inferior direito.
Pegadinha central: PAC jovem, estável e de baixo risco é tratada ambulatorialmente; não interna só porque há consolidação radiográfica.
CURB-65 exige ureia. Sem o valor, tecnicamente o escore completo não pode ser fechado, embora a banca tenha tratado o caso como 0.
Reavaliação em 48 a 72 horas é clínica. Radiografia de controle não deve ser pedida automaticamente quando o paciente melhora.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
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Contexto
Febre, tosse produtiva, dor pleurítica, estertores focais e consolidação lobar na radiografia estabelecem pneumonia adquirida na comunidade. O paciente é jovem, estável, sem hipoxemia relevante, sem taquipneia e sem comorbidades. Pelo raciocínio da prova, trata-se de PAC de baixo risco para manejo ambulatorial. O CURB-65 atribui um ponto para confusão, ureia acima de 7 mmol/L, frequência respiratória de pelo menos 30/min, pressão sistólica abaixo de 90 mmHg ou diastólica de até 60 mmHg e idade de pelo menos 65 anos.
Formalmente, sem ureia não se calcula o CURB-65 completo; pelos dados disponíveis, o CRB-65 é 0 e a banca assume ausência do componente ureia, classificando o caso como baixo risco. As Recomendações da SBPT de 2018 admitem monoterapia ambulatorial com betalactâmico ou macrolídeo em paciente sem comorbidades ou fatores de resistência. A ATS/IDSA 2019 prioriza amoxicilina ou doxiciclina e restringe macrolídeo isolado a locais com baixa resistência pneumocócica.
Há uma atualização importante em relação à redação da alternativa: radiografia de controle ao fim do tratamento não é rotina em todo adulto que evolui bem. A reavaliação em 48 a 72 horas é clínica; imagem de seguimento é reservada a persistência de sintomas, evolução desfavorável ou situações em que se queira excluir doença subjacente.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A própria alternativa informa CURB-65 igual a 0, situação que não indica internação de rotina em enfermaria num paciente estável e sem comorbidades.
B) Correta (gabarito). É a única alternativa que combina PAC de baixo risco com tratamento ambulatorial e antibiótico oral apropriado. A parte de controle radiológico sistemático ao final do tratamento reflete uma formulação mais antiga e hoje não é obrigatória se houver resolução clínica.
C) Incorreta. O escore não é 3 e uma fluoroquinolona respiratória é exposição desnecessariamente ampla para um jovem de baixo risco sem comorbidades.
D) Incorreta. O escore não é 2, não há critério clínico para enfermaria e repetir radiografia em 48 a 72 horas não é necessário se a evolução for satisfatória.
E) Incorreta. Não há CURB-65 4 nem critérios de PAC grave que justifiquem UTI ou esquema de terapia intensiva.