Cefaleias

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Questão 23
UNIFESP · 2020

Mulher, 67 anos de idade, em consulta de rotina na Unidade Básica de Saúde, refere cefaleia há 02 meses, progressiva, atualmente de moderada intensidade, holocraniana, sem foto ou fonofobia. Refere crises esporádicas de cefaleia no passado e tratamento para hipertensão arterial. Encontra-se em acompanhamento em serviço terciário por nódulo pulmonar. Apresenta exame neurológico normal.

Com base nessa história, qual é a conduta?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Esta cefaleia tem sinais de alarme para causa secundária: início de novo padrão após os 50 anos e progressão ao longo de dois meses. O exame neurológico normal não neutraliza esses sinais. O nódulo pulmonar em investigação acrescenta preocupação clínica, embora um nódulo isolado não equivalha a diagnóstico de câncer.

Critérios de adequação para investigação de cefaleia consideram idade acima de 50 anos no início de uma nova cefaleia, aumento progressivo da frequência ou intensidade, déficit neurológico, febre, imunossupressão e história de câncer entre os principais red flags. Diante desse perfil, neuroimagem é indicada. Ressonância de crânio tende a ser mais sensível para várias causas secundárias subagudas, inclusive lesões expansivas; TC também pode ser utilizada conforme disponibilidade, urgência e hipótese diagnóstica.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Presbiopia é alteração fisiológica da acomodação para visão de perto e não explica uma cefaleia nova, progressiva e persistente aos 67 anos. Avaliação ocular pode ser útil se houver sintomas específicos, mas não substitui a investigação neurológica.

B) Correta (gabarito). Uma cefaleia nova e progressiva iniciada após os 50 anos é sinal de alarme e deve motivar TC ou, preferencialmente em muitos cenários subagudos, ressonância para excluir causas secundárias.

C) Incorreta. Antes de rotular a cefaleia como tensional primária e iniciar profilaxia, é necessário investigar causas secundárias porque o padrão mudou e surgiu em idade de risco.

D) Incorreta. Doppler de carótidas não é exame de triagem para cefaleia progressiva sem sinais de isquemia cerebral ou doença vascular cervical. Ele não avalia adequadamente lesões intracranianas expansivas.

E) Incorreta. Síndrome do desfiladeiro torácico causa compressão neurovascular do membro superior e não é explicada por cefaleia associada a nódulo pulmonar. O raciocínio correto é investigar causa intracraniana secundária.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: exame neurológico normal não cancela red flags de cefaleia.

  • Nova cefaleia depois dos 50 anos ou padrão progressivo pede investigação secundária antes de tratar como cefaleia primária.

  • Nódulo pulmonar aumenta a vigilância, mas não deve ser chamado de neoplasia confirmada sem diagnóstico histológico ou clínico.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Cefaleias” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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