Primigesta, 30 semanas de idade gestacional, procura a maternidade referindo perda de líquido claro, em grande quantidade, há 4 horas. Nega intercorrências pré-natais. Nega dores. Refere boa movimentação fetal. Exame obstétrico: altura uterina de 25 cm, foco de 148 bpm, dinâmica uterina ausente. Exame especular: saída de líquido claro pelo orifício externo do colo.
Pegadinha central: RPM pré-termo estável mais 30 semanas significa evitar toque vaginal digital e fazer manejo expectante.
Corticoide está indicado entre 24 e 34 semanas no protocolo FEBRASGO de 2024.
Antibiótico de latência faz parte do manejo atual, embora não apareça na alternativa correta.
Tocólise não é automática na RPM; se usada, é excepcional e por curto período em situação selecionada.
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Contexto
Há rotura pré-termo de membranas com 30 semanas: saída de líquido amniótico confirmada ao exame especular, ausência de contrações, feto vivo e sem sinais descritos de corioamnionite ou sofrimento fetal. Nessa idade gestacional, em paciente estável, a estratégia é expectante, com vigilância materno-fetal e medidas para reduzir complicações da prematuridade.
O Protocolo FEBRASGO de 2024 recomenda corticoterapia entre 24 e 34 semanas, evitar exames vaginais digitais desnecessários, realizar avaliação para estreptococo do grupo B, administrar antibioticoterapia de latência e considerar sulfato de magnésio para neuroproteção fetal quando o parto é iminente antes de 32 semanas. Tocólise não é rotina na rotura de membranas; pode ser considerada por período curto em situações selecionadas, como presença de contrações durante a janela do corticoide ou necessidade de transferência, desde que não haja infecção ou outra contraindicação.
Por isso, a alternativa C é a melhor entre as opções, embora seja incompleta para a prática atual por não mencionar antibioticoterapia de latência e outras medidas do manejo expectante.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Evitar toque, colher cultura e administrar corticoide estão corretos, mas iniciar tocolítico de rotina em paciente sem contrações e com membranas rotas não é recomendado.
B) Incorreta. O toque vaginal digital deve ser evitado porque aumenta risco infeccioso e pode reduzir o período de latência. Além disso, não se deve esperar dilatação maior que 4 cm para decidir o manejo.
C) Correta (gabarito). Evita toque vaginal digital, coleta cultura para estreptococo do grupo B e indica corticoterapia, três componentes corretos do manejo. Na prática contemporânea, também se acrescenta antibioticoterapia de latência e vigilância materno-fetal.
D) Incorreta. O erro é realizar toque vaginal digital sem necessidade. O exame especular já confirmou a perda de líquido e é suficiente para a avaliação inicial.
E) Incorreta. Não há indicação de induzir imediatamente o parto em uma gestante estável de 30 semanas sem infecção, sofrimento fetal ou trabalho de parto. O objetivo é prolongar a gestação com segurança.