Você atende um recém-nascido de mãe com sífilis na gestação, que não foi tratada, e apresenta VDRL com título de 1/32 e TPHA (Treponema Pallidum Hemagglutinatio Test) positivo no momento do parto. A sorologia da criança ao nascimento mostra VDRL com título de 1/128 e TPHA positivo.
Pegadinha central: a pergunta não é qual achado confirma sífilis congênita, e sim qual situação obriga o esquema cristalino. Resposta: quando neurossífilis não pode ser excluída, inclusive por impossibilidade de colher líquor.
VDRL do recém-nascido duas diluições acima do materno equivale a título quatro vezes maior e é altamente sugestivo de infecção congênita.
Penicilina cristalina trata adequadamente o SNC; procaína só entra quando neurossífilis foi afastada no cenário protocolar apropriado.
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Contexto
A mãe não foi tratada e o recém-nascido apresenta VDRL 1/128 enquanto o materno é 1/32. Isso corresponde a duas diluições acima do título materno, isto é, aumento de quatro vezes, achado que reforça fortemente o diagnóstico de sífilis congênita e exige investigação completa, incluindo exame físico, hemograma, radiografia de ossos longos e avaliação do líquor quando possível.
No protocolo brasileiro para sífilis congênita, a benzilpenicilina cristalina é um esquema capaz de tratar doença com ou sem neurossífilis, enquanto a procaína é opção apenas quando neurossífilis foi excluída. Por isso, se o líquor não puder ser coletado ou adequadamente interpretado, não é possível excluir acometimento do sistema nervoso central, e a opção segura é tratar com penicilina G cristalina intravenosa por 10 dias. Esse é o detalhe específico que a questão procura.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Pênfigo palmo-plantar é manifestação clássica de sífilis congênita precoce e confirma doença sintomática, mas não é o achado específico que torna obrigatória a escolha da formulação cristalina em vez de uma alternativa válida para doença sem neurossífilis.
B) Correta (gabarito). Se não é possível coletar o líquor, não se consegue afastar neurossífilis. Como a penicilina cristalina atinge níveis liquóricos adequados e é o esquema usado quando há acometimento neurológico possível, ela se torna obrigatória na lógica da questão.
C) Incorreta. Anemia pode ocorrer na sífilis congênita e compõe a avaliação sistêmica, mas não define isoladamente a necessidade exclusiva de penicilina cristalina.
D) Incorreta. Hepatoesplenomegalia é manifestação possível de doença congênita sintomática, porém não substitui a avaliação do sistema nervoso central para determinar a obrigatoriedade do esquema cristalino.
E) Incorreta. Osteocondrite e outras lesões ósseas são manifestações reconhecidas da sífilis congênita. Elas indicam doença, mas não são o critério específico que impede o uso de procaína quando o líquor está comprovadamente normal.