Um pesquisador quer saber sobre a ocorrência de bacteremia durante episódios de colecistite aguda em um município. Para tanto, colherá, de 100 pacientes com colecistite aguda que derem entrada nos prontos-socorros, três amostras de sangue, com intervalo de uma hora entre elas, a contar da admissão, e as enviará ao laboratório para que sejam feitas as hemoculturas (em diversos meios). Os resultados definitivos estarão disponíveis em alguns dias.
Pegadinha central: várias coletas em horas diferentes não significam incidência. O que importa é se há seguimento de indivíduos inicialmente sem o desfecho para detectar casos novos.
Leia primeiro o denominador: aqui são pacientes com colecistite; a pergunta é quantos deles têm bacteremia.
Tempo para o laboratório liberar a cultura não conta como tempo de seguimento epidemiológico.
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Contexto
O pesquisador parte de uma amostra de 100 pessoas que já têm colecistite aguda e procura saber quantas apresentam bacteremia durante aquele episódio. O denominador, portanto, é o conjunto de casos de colecistite incluídos, e o numerador é o número desses pacientes em que a hemocultura demonstra bacteremia.
O fato de serem colhidas três amostras com intervalo de uma hora aumenta a capacidade de detectar bacteremia durante a janela avaliada, mas não transforma o estudo em seguimento para medir incidência. Também é irrelevante que o laboratório leve alguns dias para liberar o resultado: o tempo de processamento do exame não é tempo epidemiológico de acompanhamento.
Assim, a medida obtida é a prevalência de bacteremia entre os pacientes com colecistite aguda estudados. Em termos práticos, trata-se da proporção de colecistites agudas acompanhadas de bacteremia na janela de avaliação.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Para incidência seria necessário acompanhar pacientes inicialmente sem bacteremia e contar novos episódios ao longo de um intervalo definido, com denominador de pessoas em risco ou pessoa-tempo.
B) Incorreta. Coeficiente de correlação mede intensidade de relação entre variáveis quantitativas ou ordinais em contexto apropriado. O estudo está estimando uma frequência, não um coeficiente de correlação.
C) Correta (gabarito). Entre pacientes já selecionados por terem colecistite aguda, verifica-se a proporção que apresenta bacteremia durante o episódio, o que corresponde à prevalência da bacteremia nesse grupo.
D) Incorreta. Inverte numerador e denominador. O estudo não selecionou pacientes por bacteremia para perguntar quantos têm colecistite; selecionou pacientes com colecistite para pesquisar bacteremia.
E) Incorreta. Além de inverter a população de referência, fala em incidência sem acompanhamento de indivíduos com bacteremia inicialmente livres de colecistite.