Homem, 54 anos de idade, sem comorbidades, foi admitido no pronto-socorro com queixa de febre, dor na perna esquerda associada a hiperemia local e linfadenite inguinal ipsilateral. Gasometria arterial: pH = 7,22; bicarbonato = 12 mEq/L; PaCO2 = 34 mmHg; PaO2 = 87 mmHg. Exames laboratoriais: sódio = 140 mEq/L; cloro = 101 mEq/L.
Pegadinha central: não chame de compensação inadequada sem calcular Winter. Aqui, 34 é muito maior que 24 a 28 mmHg, então existe um segundo distúrbio.
Acidose metabólica: primeiro calcule ânion gap; depois calcule PaCO2 esperada.
PaCO2 maior que a de Winter significa acidose respiratória associada; menor significa alcalose respiratória associada.
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Contexto
O pH de 7,22 define acidemia. Como o bicarbonato está reduzido para 12 mEq/L, o distúrbio primário é acidose metabólica. O passo seguinte é calcular o ânion gap e verificar se a resposta ventilatória é a esperada.
Logo, não se trata de uma acidose metabólica simples. Há acidose metabólica com ânion gap aumentado mais acidose respiratória. O contexto infeccioso pode levantar a possibilidade de produção de lactato como causa do componente metabólico, mas o lactato não foi fornecido e não é necessário para classificar o distúrbio ácido-base.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Não há alcalose metabólica: o bicarbonato está baixo. Além disso, o ânion gap está aumentado.
B) Incorreta. O ânion gap é 27 mEq/L, portanto não é normal, e a PaCO2 não está na faixa prevista pela fórmula de Winter.
C) Incorreta. A PaCO2 está excessivamente alta para a compensação de uma acidose metabólica, o que representa acidose respiratória concomitante, não alcalose respiratória.
D) Incorreta. A classificação do ânion gap está certa, mas a compensação respiratória não é adequada: esperava-se PaCO2 em torno de 26 mmHg e ela é 34 mmHg.
E) Correta (gabarito). Há acidose metabólica com ânion gap aumentado e resposta respiratória inadequada porque a PaCO2 está acima da prevista, revelando acidose respiratória associada.