Gamopatias monoclonais e mieloma

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Questão 34
UNIFESP · 2020

Homem, 61 anos de idade, apresenta em exame de rotina eletroforese de proteínas com componente monoclonal em fração de gamaglobulinas (4 g/dl). Ele refere cansaço e nega outros sintomas.

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Contexto

Um componente monoclonal de 4 g/dL é volumoso e exige investigação de discrasia de plasmócitos. O ponto decisivo é separar gamopatia assintomática de mieloma múltiplo ativo. No raciocínio clássico, procura-se lesão de órgão-alvo pelo conjunto CRAB: hipercalcemia, insuficiência renal, anemia e lesões ósseas. O International Myeloma Working Group também reconhece eventos definidores de mieloma que permitem diagnosticar doença ativa antes de dano CRAB manifesto.

Por isso, hemograma, creatinina, cálcio e avaliação esquelética investigam diretamente dano orgânico e tornam a alternativa B a melhor entre as oferecidas. Na prática atual, a investigação completa também inclui imunofixação, cadeias leves livres séricas, avaliação urinária e estudo de medula óssea; para imagem, CT de corpo inteiro em baixa dose, PET-CT ou RM são hoje mais sensíveis do que o antigo inventário radiográfico simples em muitos cenários.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Aspirado e biópsia de medula fazem parte da investigação moderna, mas citometria do sangue periférico não substitui a caracterização da população plasmocitária medular nem a pesquisa de dano orgânico. A alternativa, isoladamente, deixa de responder ao ponto central do caso.

B) Correta (gabarito). Hemograma, creatinina, cálcio e avaliação esquelética procuram justamente anemia, insuficiência renal, hipercalcemia e doença óssea, elementos que discriminam mieloma ativo de formas assintomáticas.

C) Incorreta. Ressonância dirigida da coluna pode ser útil em situações específicas, mas não se começa a investigação de uma gamopatia monoclonal com biópsia focal vertebral sem lesão-alvo previamente definida.

D) Incorreta. Albumina e beta-2-microglobulina têm papel principalmente prognóstico e de estadiamento quando mieloma já foi estabelecido; não são suficientes para esclarecer se há mieloma ativo.

E) Incorreta. Eletroforese de hemoglobina investiga hemoglobinopatias. Cadeias leves devem ser avaliadas como cadeias leves livres de imunoglobulina, não por eletroforese de hemoglobina.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: pico monoclonal não é sinônimo de mieloma múltiplo ativo. Procure CRAB e eventos definidores de mieloma.

  • M-proteína sérica de 4 g/dL já ultrapassa o limite clássico de 3 g/dL usado na definição de MGUS, mas ainda não prova mieloma ativo sem avaliação medular e critérios definidores.

  • Radiografia de esqueleto aparece em provas antigas; na prática moderna, técnicas de imagem corporal mais sensíveis ganharam preferência.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Gamopatias monoclonais e mieloma” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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