Homem, 59 anos de idade, encontra-se internado no 5o PO de cirurgia de troca valvar mitral por prótese biológica. Exame físico: bom estado geral, afebril, eupneico; ferida operatória esternal com pele íntegra, sem hiperemia ou secreção, com presença de instabilidade esternal em manúbrio.
Pegadinha central: ferida bonita não exclui deiscência mecânica. Instabilidade esternal palpável é um problema estrutural e pede correção.
Infecção muda o cenário: febre, secreção, hiperemia, bacteremia ou sinais profundos exigem investigação de mediastinite e tratamento associado.
Faixa torácica é suporte, não tratamento definitivo de esterno mecanicamente instável.
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Contexto
No 5º pós-operatório de esternotomia mediana, a presença de instabilidade esternal palpável indica deiscência mecânica da osteossíntese até prova em contrário. O dado que fecha o raciocínio é mecânico, não infeccioso: o esterno deveria estar estável, e mobilidade entre suas metades sugere falha dos fios, perda de aposição óssea ou fratura do osso ao redor da fixação. Febre, secreção, hiperemia, leucocitose ou sinais sistêmicos levantariam suspeita de infecção profunda e mediastinite, mas a ausência desses achados não transforma uma deiscência mecânica verdadeira em situação observável.
A instabilidade significativa exige reavaliação cirúrgica porque movimento contínuo dificulta consolidação, piora dor e mecânica ventilatória e aumenta o risco de complicações infecciosas. Em deiscência esternal precoce sem evidência de infecção, a abordagem típica é reexploração, avaliação do osso e dos fios e refixação do esterno, por ressutura com fios ou outra técnica de estabilização conforme a qualidade óssea e a extensão da falha. Cinta ou faixa torácica pode ser adjuvante de conforto em situações selecionadas, mas não restabelece a estabilidade de uma deiscência estrutural.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Faixa torácica pode reduzir sensação de movimento ou dor, mas não corrige separação das bordas esternais nem falha da osteossíntese. Não deve substituir estabilização cirúrgica quando há instabilidade clínica evidente.
B) Incorreta. Hemoculturas e antibióticos são apropriados quando há suspeita de infecção, especialmente febre, secreção, celulite, bacteremia ou mediastinite. Aqui o enunciado enfatiza pele íntegra, ausência de hiperemia e ausência de secreção, apontando para falha mecânica.
C) Incorreta. Cintilografia óssea não é necessária para demonstrar uma complicação que já é clinicamente evidente. Exames de imagem podem ser usados em casos selecionados para definir extensão ou complicações, mas não devem atrasar a correção de instabilidade significativa.
D) Correta (gabarito). A ressutura ou refixação esternal trata a causa do problema: restaura a estabilidade da parede torácica após deiscência mecânica precoce. Durante a reabordagem também se inspecionam os tecidos e se colhem culturas se houver qualquer achado suspeito de infecção.
E) Incorreta. Observação isolada é inadequada diante de instabilidade esternal franca. A persistência do movimento favorece dor, dificuldade respiratória, falha de consolidação e maior risco de complicações.