Mulher, 28 anos de idade, refere formigamento inicialmente nos pés que evoluiu até o joelho esquerdo e nas mãos, há 4 dias. Exame físico: força muscular grau 4 global, arreflexia, hipoestesia em “bota e luva”, sem alteração esfincteriana ou sensitiva.
Pegadinha central: fraqueza ascendente + arreflexia = pense Guillain-Barré; nível sensitivo + esfíncter = pense medula.
Líquor normal nos primeiros dias não exclui Guillain-Barré; a dissociação albuminocitológica pode aparecer depois.
Na urgência, não esqueça a ameaça respiratória e autonômica: acompanhar capacidade vital, bulbar e sinais de disautonomia.
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Contexto
A síndrome de Guillain-Barré é uma polirradiculoneuropatia imunomediada aguda. O padrão que discrimina o diagnóstico é fraqueza progressiva relativamente simétrica associada a hiporreflexia ou arreflexia, evoluindo ao longo de dias a até 4 semanas. Parestesias podem preceder ou acompanhar a fraqueza. A Diretriz EAN/PNS de 2023 destaca a progressão aguda, a redução dos reflexos e a exclusão de diagnósticos alternativos como pilares do diagnóstico clínico.
Nesta paciente, parestesias que começam distalmente e ascendem, força global grau 4 e arreflexia compõem o fenótipo típico. A hipoestesia em bota e luva traduz comprometimento periférico, enquanto a ausência de nível sensitivo e de disfunção esfincteriana afasta uma síndrome medular. Líquor pode mostrar dissociação albuminocitológica, mas ela pode faltar na primeira semana. Eletroneuromiografia também pode ser inicialmente normal. O diagnóstico não deve esperar esses exames quando o quadro clínico é compatível, especialmente porque é preciso monitorar capacidade respiratória e disautonomia.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. AIT produz déficit neurológico focal de início súbito e resolução espontânea. Não causa polineuropatia ascendente simétrica com arreflexia.
B) Incorreta. Miastenia gravis causa fraqueza fatigável, frequentemente ocular e bulbar, com sensibilidade preservada e reflexos tendíneos habitualmente normais.
C) Incorreta. Mielite transversa costuma produzir nível sensitivo, sinais de trato longo abaixo da lesão e, com frequência, disfunção vesical ou intestinal. A arreflexia pode ocorrer no choque medular inicial, mas o padrão global do caso é periférico.
D) Correta (gabarito). Evolução em poucos dias, sintomas sensitivos distais, fraqueza progressiva e arreflexia sem nível medular constituem o padrão clássico de síndrome de Guillain-Barré.
E) Incorreta. Miopatias inflamatórias cursam principalmente com fraqueza proximal e simétrica, sem perda sensitiva distal e com reflexos preservados até fases avançadas.