Mãe comparece à consulta de rotina de puericultura com seu filho de 5 meses de idade. Ela irá retornar ao trabalho e quer introduzir alimentação complementar.
Pegadinha central: suco natural não equivale metabolicamente à fruta inteira; perde fibra, sacia menos e concentra açúcares.
Alimentação complementar começa em torno de 6 meses; aos 5 meses, não se antecipa apenas porque a mãe retornará ao trabalho.
Para a prova, pense em fruta inteira e água, não em suco, como padrão para a criança pequena.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
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Contexto
Há duas ideias de prova aqui. Primeiro, aos 5 meses, a alimentação complementar ainda não deve ser antecipada de rotina. O Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos, do Ministério da Saúde, orienta leite materno exclusivo até 6 meses e introdução de alimentos a partir dessa idade; a diretriz da OMS de 2023 também situa o início da alimentação complementar em torno de 6 meses.
Segundo, quando a alimentação complementar começa, fruta inteira é preferível ao suco. O suco fornece menos fibra, menor saciedade e permite ingerir em poucos minutos a carga de açúcar de várias frutas. Mesmo sem açúcar adicionado, o processamento rompe a matriz do alimento e facilita maior ingestão de açúcares livres. O Ministério da Saúde orienta oferecer água em vez de sucos para crianças pequenas, e a recomendação pediátrica é evitar suco no primeiro ano de vida, salvo indicação clínica específica.
Em excesso, a frutose chega ao fígado em grande quantidade e favorece lipogênese de novo, síntese de triglicerídeos, maior carga energética e alterações metabólicas. O consumo habitual excessivo de bebidas açucaradas e sucos pode se associar a ganho excessivo de peso e esteatose hepática metabólica. A antiga expressão doença hepática gordurosa não alcoólica foi progressivamente substituída pela nomenclatura doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica, mas a alternativa usa a terminologia da época da prova.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Suco não deve ser a primeira escolha na introdução alimentar. Aos 5 meses, a introdução complementar nem sequer deve ser antecipada de rotina; a partir de 6 meses, priorizam-se alimentos in natura, inclusive fruta em sua forma inteira e adequada à consistência da criança.
B) Incorreta. O suco não deve ser priorizado por suposto ganho nutricional. Comparado à fruta inteira, tem menos fibra, menor saciedade e permite maior carga de açúcares em menor volume. A presença de vitaminas não anula essas desvantagens.
C) Incorreta. Reduzir suco pode diminuir carga energética e de açúcares, mas não porque reduza diretamente a absorção intestinal de triglicerídeos. A formulação também simplifica de modo incorreto a resposta insulinêmica.
D) Incorreta. Metabolismo elevado de frutose pode aumentar produção de ácido úrico, mas isso não significa aumento benéfico do gasto energético. O raciocínio está invertido.
E) Correta (gabarito). O uso abusivo de sucos aumenta a exposição a açúcares livres e energia, pode favorecer ganho ponderal e está associado a alterações metabólicas, incluindo esteatose hepática, especialmente quando integra um padrão alimentar de excesso calórico.