Foi realizado um estudo caso-controle para avaliar se há associação entre consumo elevado de carne e câncer de esôfago.
Pegadinha central: caso-controle seleciona pelo desfecho, por isso a medida clássica é OR, não risco relativo.
Para razões, como OR, RR e razão de prevalências, o valor nulo é 1. Se o IC95% cruza 1, não há significância estatística ao nível de 5%.
OR de 3,52 significa odds aproximadamente 3,5 vezes maior, não risco 3,5 vezes maior.
Intervalo de 1,01 a 4,55 exclui 1 por margem mínima: há significância estatística, mas a precisão é limitada.
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Contexto
No estudo caso-controle, os participantes são selecionados a partir do desfecho: primeiro se definem casos com a doença e controles sem a doença, depois se compara a frequência de exposição prévia. Como o número de casos e controles é determinado pelo desenho do estudo, não se estima diretamente a incidência da doença entre expostos e não expostos. Por isso, a medida clássica de associação é a odds ratio (OR), também chamada razão de chances.
Uma OR de 3,52 significa que a odds de câncer de esôfago associada ao consumo elevado de carne é cerca de 3,5 vezes a odds no grupo de referência, conforme a parametrização do estudo. O intervalo de confiança de 95% vai de 1,01 a 4,55. Como não inclui o valor nulo 1, há associação estatisticamente significativa ao nível convencional de 5%. O limite inferior muito próximo de 1 e a amplitude do intervalo também mostram que a estimativa é relativamente imprecisa.
Em prova, não troque odds por risco. Quando o desfecho é raro, a OR pode aproximar o risco relativo, mas conceitualmente continua sendo uma razão de odds.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Razão de prevalências é típica de estudos transversais, nos quais exposição e desfecho são avaliados em uma população definida. Não é a medida principal do caso-controle clássico.
B) Incorreta. O risco relativo exige que seja possível calcular o risco acumulado nos grupos de exposição, o que não ocorre diretamente quando a amostra é montada selecionando casos e controles.
C) Incorreta. Razão de incidências exige dados de ocorrência de casos ao longo de tempo de observação ou pessoa-tempo. Além disso, o intervalo apresentado inclui 1, portanto não sustentaria associação estatisticamente significativa.
D) Incorreta. A razão de chances é a família correta de medida para caso-controle, mas o valor apresentado, 1,05 com IC95% de 0,75 a 1,20, inclui 1 e corresponde à ausência de evidência estatística de associação. Não é a estimativa indicada pelo gabarito do estudo.
E) Correta (gabarito). A medida adequada é a odds ratio, e OR 3,52 com IC95% de 1,01 a 4,55 indica odds aumentada de câncer entre os expostos, com intervalo que exclui 1.